Tropa de Choque é necessária, diz comandante da PM

Meira afirma que ordenou a entrada do batalhão porque só a Força Tática 'não conseguiu conter a fúria' dos manifestantes

ARTUR RODRIGUES , O Estado de S.Paulo

15 Junho 2013 | 02h05

O comandante-geral da Polícia Militar, Benedito Roberto Meira, afirmou ontem que foi o responsável pela ação da Tropa de Choque na manifestação de anteontem e continuará a utilizar o batalhão se necessário.

Os confrontos com manifestantes aconteceram depois que a tropa passou a atuar. "Decidi pelo emprego da Tropa de Choque a partir do instante em que ela (a Força Tática do Batalhão do Centro) não conseguia conter a fúria e a manifestação daquelas pessoas", disse Meira, em entrevista coletiva pela manhã no Palácio dos Bandeirantes.

Ele afirmou que a ação do grupo pode ser requisitada novamente na segunda-feira. "Não sabemos quais serão a dimensão e magnitude da manifestação. Eu preciso da Tropa de Choque como uma reserva estratégica exatamente para fazer uma intervenção, se necessário for."

O comando da PM responsabiliza totalmente o movimento pelos confrontos de anteontem. A quebra do acordo que definia que o protesto terminaria na Praça Roosevelt, afirma a corporação, foi o estopim. A confusão começou quando os manifestantes anunciaram que subiriam a Rua da Consolação. "Em razão da ausência de lideranças do movimento, houve início de arremesso de objetos contra os policiais", disse o coronel Reinaldo Simões Rossi, responsável pela PM no centro, justificando a ação do choque.

O Estado estava no momento e não viu nenhum manifestante atacar a PM. Vídeo feito pela reportagem mostra um oficial da PM parabenizando os manifestantes pelo protesto pacífico até aquele momento.

Jornalistas. Vários jornalistas foram atingidos por balas de borracha. O fotógrafo Sérgio Silva, da agência Futura Press, e a repórter da TV Folha Giuliana Vallone foram atingidos por bala de borracha no olho (mais informações na pág. A23).

O comandante da PM dá outra versão. Segundo ele, policiais da Tropa de Choque que estavam em um ônibus revidaram pedradas. "O projétil de elastano ricocheteou no chão e atingiu a jornalista que estava em um estacionamento", disse.

A Procuradoria-Geral de Justiça vai acompanhar as investigações de possíveis abusos da PM. Em nota, o órgão diz que apurará também ações atribuídas aos manifestantes.

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