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NIVALDO LIMA/FUTURA PRESS

Trio é baleado após tentar fugir e provocar engavetamento em frente a Congonhas

Na tentativa de escapar de abordagem policial, suspeito perdeu controle da direção quando passava pelo aeroporto, na zona sul, e causou acidente com outros quatro veículos

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Felipe Resk,
O Estado de S. Paulo

26 Janeiro 2016 | 10h09
Atualizado 26 Janeiro 2016 | 22h51

SÃO PAULO - SÃO PAULO - Três adolescentes foram baleados após tentar fugir de uma perseguição policial, bater um carro roubado e trocar tiros na Avenida Washington Luiz, em frente ao Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital, na madrugada desta terça-feira, 26. O acidente envolveu outros dois veículos comuns, dois táxis e uma viatura da PM. Os policiais também apreenderam duas armas de fogo com os adolescentes.

Segundo depoimento de PMs no 27º Distrito Policial (Campo Belo), onde o caso foi registrado, os jovens, dois de 17 anos e um de 16, estavam em um Hyundai HB20 e foram flagrados saindo de um ponto de venda de drogas na Vila Joaniza, periferia da zona sul. A viatura teria feito sinais sonoros e visuais para que os suspeitos parassem, mas a ordem não foi obedecida. Após consulta, os policiais constataram que o veículo havia sido roubado no último domingo, 24, em Interlagos, bairro nobre da mesma região.

A primeira perseguição durou cerca de cinco minutos, até o momento em que os suspeitos pararam bruscamente na frente de um beco da comunidade. De acordo com os policiais, eles teriam atirado contra a viatura e acertado o vidro traseiro do Hyundai HB20. Um sargento revidou com seis disparos. Segundo depoimento dos policiais, os suspeitos teriam continuado a fuga na sequência e sumido de vista. Os agentes pediram reforços.

A PM montou um cerco na Avenida Washington Luiz, sentido centro, e alguns carros foram parados no local. Por volta da 0h50, os suspeitos passaram pela via e colidiram em alta velocidade na traseira de uma BMW 325i. O carro dos suspeitos rodopiou e atingiu outros quatro, incluindo uma viatura. O impactou arrancou o lado direito do para-choque e acionou os airbags do Hyundai HB20.   

"Quando eu vi os policiais, pensei que era uma blitz. Eles me mandaram parar na avenida", afirmou o dono da BMW, ano 1993, comprada há menos de um mês, que havia saído para comer um sanduíche. Ele não quis se identificar. "Pensei no meu filho de seis anos. Ele sempre pede para passear de carro, mas no dia ficou em casa dormindo", disse. No tiroteio, ele saiu pela porta do passageiro e se escondeu atrás do pneu. "Em 43 anos, nunca passei por isso. Eu poderia estar morto."

Após a colisão, os policiais disseram ter visto um dos adolescentes no banco da frente tentando sair do carro com uma pistola 765 na mão. Ele teria apontado a arma na direção dos agentes. Os PMs atiraram e os três menores foram atingidos - um deles, de 17 anos, baleado na cabeça, passou por cirurgia no Hospital São Paulo. Já os comparsas foram levados para o Hospital Municipal Doutor Arthur Ribeiro de Saboya, no Jabaquara. Nenhum estado de saúde foi informado. Um revólver calibre 38 foi encontrado no assoalho do banco traseiro.

"Você tem de reagir rápido: eu deitei no chão. Foram muitos tiros", afirmou um taxista que ficou no fogo cruzado. Proprietário de um Ford Ka, o gestor de comunicação visual Ricardo Cardoso, de 38 anos, pensava em proteger a mulher e os dois filhos, um menino de 8 anos e uma jovem de 21. "Eu me abracei a eles e os coloquei para baixo", disse. "Todo mundo ficou apavorado. Eu só pensava em Deus e pedia proteção. Se não fosse o bom trabalho da PM, talvez a minha família não estivesse viva."

Os menores foram autuados por formação de quadrilha, resistência, desobediência e receptação de veículo. À Polícia Civil, o proprietário do carro afirmou não ter condições de identificar os assaltantes, motivo pelo qual os menores não podem ser acusados de roubo. Eles seguem internados sob escolta policial.

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