GABRIELA BILO/ ESTADAO
GABRIELA BILO/ ESTADAO

Trianon, Buenos Aires e outros 11 parques ficam sem segurança

Contrato da Prefeitura com empresa de vigilância patrimonial não foi renovado; secretário diz que negocia acordo

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

03 Setembro 2016 | 03h00

Ao menos 13 parques municipais de São Paulo estão sem agentes de segurança há dois dias. O contrato da Prefeitura com a empresa que fazia a vigilância patrimonial das áreas verdes na região central acabou e ainda não foi renovado. 

O encerramento do contrato se deu em meio a renegociações da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente com os fornecedores. O contrato com a empresa Albatroz se encerrou no último dia 31, quarta-feira, e a renovação, ou nova licitação, ainda está sendo negociada. O acordo vencido já era um aditivo, para prorrogar o prazo do contrato original, que venceu em julho, de R$ 9 milhões. 

Os parques afetados são: Aclimação, Alfredo Volpi, Buenos Aires, Cemucam (parque da Prefeitura que fica em Cotia, usado como viveiro), Colina de São Francisco, Independência, Juliana de Carvalho Torres, Vila Leopoldina-Orlando Villas-Boas, Linear do Sapê, Luis Carlos Prestes, Mario Covas, do Povo, Previdência, Raposo Tavares, Trianon e Zilda Natel. 

No parque Buenos Aires, em Higienópolis, na região central, a falta de vigilantes já fez com que o horário de funcionamento fosse alterado. Em vez de fechar os portões às 22 horas, a administração optou por encerrar as atividades às 19 horas, quando escurece. A medida desagradou os frequentadores.

“A falta dos vigilantes deixa a gente um pouco preocupado, não é? Tem de ter uma atenção especial com as crianças. E fica sem ter quem chamar se alguém resolve depredar uma estátua, mexer com alguma coisa do parque”, afirmou a babá Cristiane Carmo Reis, de 30 anos, que diariamente leva duas crianças para brincar na área verde.

Outros frequentadores reclamam do que classificam de “clima de abandono”. “Ficam cachorros soltos, muita sujeira. O lugar parece abandonado”, reclamou a dona de casa Olga Rodriguez, de 80 anos.

Guardas. O secretário municipal do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Ravena, admite o fim dos contratos e afirma que a Prefeitura está em negociação com os fornecedores para readequar o valor dos contratos de segurança à realidade orçamentária atual. 

“Optamos por manter primeiro a segurança dos parques da periferia da cidade, onde os riscos de depredação e até de invasões são maiores. A maioria dos parques da região central ou tem base da Guarda Civil Metropolitana (GCM) ou equipes da guarda que fazem rondas no local. Na periferia, a guarda demora mais para chegar”, disse Ravena. “É um risco, mas é um risco calculado.”

O secretário lembra que a função dos seguranças particulares é fazer a guarda patrimonial – evitar depredações, por exemplo. A função de garantir a segurança dos frequentadores continua a ser da GCM. “Estamos buscando ampliar a presença dos guardas também na periferia”, concluiu.

‘Colapso’. Os riscos, no entanto, fizeram com que o vereador Gilberto Natalini (PV) levasse uma representação no Ministério Público Estadual (MPE) para exigir que a Prefeitura mantenha vigilantes particulares nos parques municipais. Para o parlamentar, “a situação mostra o colapso da gestão dos parques e áreas verdes da cidade”. 

A reportagem não conseguiu contato com a empresa Albatroz nesta sexta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

0 Comentários

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.