Transmissão criou os jurados virtuais

Apesar das restrições, essencial do júri apareceu

Felipe Tau, O Estado de S.Paulo

15 Março 2013 | 02h03

A transmissão do julgamento de Mizael Bispo de Souza, o primeiro júri mostrado ao vivo pela internet, pelo rádio e pela TV no País, ofereceu aos telespectadores perspectiva diferente da encontrada por quem estava no plenário: ora mais completa, ora carente de alguns elementos importantes para se chegar a um veredicto pessoal sobre o réu. De toda maneira, a sensação é a de que foi possível chegar a uma conclusão com o que foi mostrado.

Embora os "jurados virtuais" não pudessem ler os autos, ver um dos depoimentos ou fazer perguntas, tiveram acesso ao comentário de juristas, closes em documentos, vídeos mostrados em plenário e até às pesquisas rápidas feitas na internet em momentos de dúvida.

Por outro lado, quem acompanhou o julgamento de longe não teve uma visão geral de seus personagens, mas um recorte restrito ao que o juiz Leandro Bittencourt Cano autorizou gravar.

As três câmeras usadas não filmaram os sete integrantes do júri e exibiram apenas uma fileira da plateia. Também não mostraram familiares e só deram closes em Mizael quando ele prestou seu depoimento. Isso impediu ver as reações do conselho de sentença e do réu, fatores subjetivos que também contribuem para se formar um juízo mais completo do caso. O ânimo do público foi sentido em raros momentos, como no irônico "óóó..." emitido em uma falsa demonstração de pena por Mizael durante seu depoimento.

Apesar das limitações, porém, o magistrado fez apenas uma censura às imagens, quando Márcio Nakashima, testemunha de acusação e irmão de Mércia, bateu boca com os defensores do réu. A publicidade e o caráter didático pretendido para o julgamento parecem ter sido alcançados, sem que ele se tornasse um espetáculo televisivo.

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