Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Tour no Alemão está até em site de compra coletiva

Entre curiosidades do passeio está a movimentação das tropas do Exército

Clarissa Thomé / RIO, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2011 | 00h00

Os sites de compra coletiva descobriram o Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. O passeio pelas seis estações do teleférico é vendido como uma visita "à mais fantástica comunidade do Rio de Janeiro". O roteiro inclui passeio a pé pela favela pacificada desde novembro, em um trecho percorrido em cerca de 30 minutos. Moradores de Manaus, São Paulo e Brasília estão entre os compradores do pacote, que sai por R$ 15.

O visitante faz um tour acompanhado por guia turístico credenciado. No trajeto, o profissional aponta as curiosidades - Igreja da Penha, Ponte Rio-Niterói, Engenhão, as obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a movimentação das tropas do Exército, que continua ocupando as favelas, e até o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar que podem ser avistados de longe.

Mas não é isso que chama a atenção do turista. "No Pão de Açúcar, no Cristo, a visão é linda, mas é quase uma paisagem moldada. Aqui é uma vista urbana, a gente vê a casa das pessoas, o movimento sobre as lajes, crianças soltando pipas, cães andando por ali", afirmou o capixaba Felipe Pereira Garcia, de 27 anos, que ontem fez o passeio.

"Acho que o Complexo do Alemão será o terceiro ponto turístico do Rio, atrás do Pão de Açúcar e do Corcovado", diz Ronald Teixeira, coordenador do projeto Rio Turismo Legal. Ele quer ainda criar mais dois roteiros - a Trilha do Bope, caminhada pelo local usado como rota de fuga dos traficantes, em novembro, e o passeio à Lagoa Azul do Alemão, piscinão formado durante a escavação de uma pedreira, na Serra da Misericórdia. "O turismo vai resgatar essa comunidade."

Não há ainda lojinhas de souvenir e produtos que sejam a marca do Alemão, como camisetas e bonés. Mas o visitante que chega à Estação Palmeiras, a última, é convidado a parar na lanchonete do jovem casal Camila e Dimas Lemos, que vive ali há 15 anos e viu nas obras do teleférico uma oportunidade de melhorar a renda. "Depois da inauguração, dobramos o faturamento. Agora já estão vindo mais visitantes", comemora Camila.

Inaugurado há um mês, o teleférico já recebeu 218 mil pessoas. O pico foi logo na primeira semana - 28 mil passageiros em quatro horas de funcionamento. Hoje a média é de 6 mil pessoas por dia. Nas férias, algumas crianças davam mais de 20 voltas. Com o reinício das aulas, o teleférico voltou a assumir caráter de transporte público. A rotina só é quebrada pelos turistas atraídos pelas notícias sobre a favela pacificada ou pelos sites de compra coletiva, como Alertados, Grupo Ligado e Viagens Coletivas.

O passeio começa na estação de trem de Bonsucesso, interligada ao teleférico. Ali, passageiros são recebidos por funcionários terceirizados da empresa. Os estrangeiros são encaminhados ao americano Daniel Armstrong, de 29 anos, que vive no Méier, zona norte, desde 2009. Ele auxiliou alemães, coreanos, americanos. "Os alemães sempre querem saber o motivo do nome da favela. Explico que o alemão, na verdade, era um polonês dono dessas terras."

Em fase de testes, o teleférico funciona apenas nos dias úteis, entre 7h e 12h, gratuitamente. A partir de setembro, a viagem custará R$ 1.

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