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Torres mudam 'céu' do Baixo Augusta

Diego Zanchetta - O Estado de S. Paulo

30 Agosto 2014 | 16h 00

Com 908 imóveis, Ca’d’oro reabre em 2015 com duas torres; obra está em fase final e restaurante vai voltar a ocupar terraço do edifício

Duas torres de quase 120 metros de altura têm chamado a atenção de quem passa pela região conhecida como Baixo Augusta, no centro de São Paulo. A obra no terreno de 8.170 mil metros quadrados, na esquina da Rua Caio Padro, tem 450 funcionários, funciona 12 horas por dia e não para de crescer. Mas, além de 908 apartamentos, salas comerciais e quartos de hotel, o futuro complexo vai abrigar em um dos edifícios, a partir de 2015, o Ca’d’oro, restaurante que fez história na alta gastronomia paulistana entre 1953 e 2009.

Uma das torres do empreendimento de R$ 158 milhões também vai abrigar um hotel com a grife Ca’d’oro. Mas não será o mesmo cinco estrelas classudo que já recebeu hóspedes como Nelson Mandela, Pablo Neruda, Luciano Pavarotti e Di Cavalcanti. “Será um quatro estrelas ‘plus’, adaptado aos padrões modernos da hotelaria, com decoração contemporânea. Mas o estilo clássico do restaurante será mantido. E todo o acervo de quadros e obras de arte será novamente exposto para os clientes”, afirma a arquiteta Patrícia Anastassiadis, que decora os apartamentos e o restaurante.

No meio de outros 16 empreendimentos em construção na região, nenhum é tão alto e vistoso. A fachada moderna e o pé direito alto lembra os espigões da Vila Olímpia, área nobre da zona sul. O Ca’d’oro vai ficar no mesmo terraço onde funcionou por mais de meio século, de frente para a Rua Augusta. No meio de prédios baixos e antigos do centro, a maior parte da década de 1960, as novas torres já mudaram o “sky line” da região. Os responsáveis pelo empreendimento ainda torcem para que a Prefeitura viabilize o Parque Augusta, localizado em terreno da Cyrela a 50 metros do futuro complexo.

Bruno Henrique Silva, de 25 anos, engenheiro responsável pela obra, admite que muitos vizinhos reclamam dos barulhos e transtornos da obra, como constatou a reportagem. “Mas o empreendimento vem como impulsor de revitalização da região. Depois que começamos a obra outros concorrentes também começaram a erguer prédios aqui. A paisagem da região do Baixo Augusta vai mudar”, afirma o engenheiro. Muitos dos 450 funcionários que trabalham na obra ajudaram a construir a moderna sede do Google na Avenida Faria Lima, um complexo com três blocos interligados e com paredes de vidro.

“A parte residencial e a parte do hotel, onde vai ficar o restaurante, serão independentes”, acrescenta o engenheiro responsável. Os donos do Ca’d’oro serão os mesmos, a família Guzzoni, que se associou à incorporadora Brookfield no megaempreendimento. O famoso cozido, que atraía clientes como Antonio Ermírio de Moraes, Pelé, Roberto Carlos e Jânio Quadros, continuará sendo servido no tradicional carrinho réchaud de inox que circulava entre as mesas nos áureos tempos do restaurante.

Gigantismo. São duas torres que estão quase prontas, uma de 27 andares, onde funcionarão as salas comerciais (até o 18.º) e, dali para cima, o hotel, com 387 salas comerciais e 147 apartamentos. Os quartos serão vendidos, e os compradores participarão de um rateio mensal da receita. Na outra torre, de 31 andares, fica a parte residencial – com 374 unidades e 11 opções de planta, de 40 a 72 metros quadrados. Como os pavimentos são altos, as torres têm altura equivalente a de um prédio residencial de 45 andares.

Vizinhos reclamam da obra, mas comerciantes e alguns moradores antigos acham que o impacto vai ser benéfico. “Os inferninhos estão sumindo e virando prédios. Isso é muito bom para todo mundo. Muitos restaurantes bons estão abrindo também e vão chegar mais comércios com esse ‘monstro’ que está nascendo”, elogia Raquel Figueiredo, de 41 anos, dona de uma kebaberia aberta recentemente no Baixo Augusta.