''Todos fazem as coisas em conjunto''

Para uns, é a utopia. Para outros, é o que se pode fazer para viver bem. Mas ninguém quer sair

Chico Siqueira, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2010 | 00h00

As comparações para se entender o sistema social da comunidade Yuba são diversas. Há quem o compare com o idealizado por Thomas Morus (1478-1535) na ilha Utopia ou com os Kibutzim israelenses. Há quem lembre que Isamu Yuba era fã de clássicos da sociologia. Ainda há quem afirme que o sistema é motivado pelo romance Atarashikimura, do japonês Saneatsu Mushanokoji, sobre comunidades rurais, escrito no começo do século 20.

Para os moradores, isso pouco importa. "Não há utopia nenhuma, o que há é que encontramos uma forma de viver da melhor maneira possível", explica Luiz Yuba, presidente da Associação Yuba. A entidade tem diretoria eleita por voto direto. "Mas pode colocar aí que não é porque sou presidente que tenho qualquer benefício com isso."

Respeito mútuo. Para Masakatsuo Yazaki, de 66 anos, que chegou em 1963, Yuba é uma utopia. "A utopia existe e é aqui." Ele é responsável pelo museu da comunidade. "Nunca julgue os outros e tenha respeito pelas ideias alheias. É isso que vivemos aqui." Para Katsue Yuba, filha do fundador, o sistema de Yuba é a expressão da arte, do amor à natureza e do respeito às tradições religiosas. "Aqui é como uma porta aberta, por onde se entra e por onde se sai."

Certa ou errada, Katsue tem razão: em Yuba não há portão nem muros e as janelas das casas são fechadas apenas com cortinas. Quem quiser entrar para fazer parte da comunidade é só chegar, trabalhar e viver como eles - falar japonês ajuda muito.

Se falar japonês ajuda, ponto para o fotógrafo (japonês) Yoshinori Arai, que chegou em 2009. "A ideia era ficar um mês, mas já estou há nove meses." Segundo Aya Ohara - que, nascida ali, foi estudar dança e artes no Japão e retornou -, há seis turistas vivendo na comunidade. "O mais antigo está aqui há sete anos." Arai veio da província de Shiba, a uma hora de trem de Tóquio. "O respeito às tradições japonesas, principalmente com os idosos, é difícil de encontrar em outro lugar."

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