Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Tiro de Guerra de Capivari formou jovens para campo de batalha

Cerca de 5 mil rapazes já passaram pela unidade do interior de São Paulo durante os 100 anos de funcionamento

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2017 | 06h00

CAPIVARI - O aposentado Benedito Ággio, de 91 anos, o seu Benê, conhece o valor do serviço militar. Nascido em 1926, serviu no Tiro de Guerra (TG) de Capivari em 1944 e foi homenageado na festa do centenário, celebrada em 20 de setembro. "Como era o tempo da 2.ª Guerra, havia 120 atiradores. A todo momento nosso pessoal era colocado de prontidão para um possível embarque para a frente de batalha, na Europa. Além de manusear fuzil com baioneta, aprendíamos a cavar trincheiras." 

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Foram convocados rapazes de várias cidades para aumentar o contingente. "Tivemos aulas sobre os costumes da Itália, até aprendemos alguma coisa do italiano. Volta e meia alguém falava que os navios estavam atracando em Santos e íamos embarcar. No fim, meu ano acabou e fiquei aqui, até frustrado de não ter ido à guerra." Ele se arrepende de não ter seguido carreira militar - fez concurso público e se tornou inspetor de alunos. "Nunca esqueci o que aprendi no TG de Capivari. Muitos dos colegas do tiro ficaram meus amigos pelo resto da vida. Pena que já morreram."

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Cerca de 5 mil jovens já passaram pelo TG de Capivari. Entre os ex-atiradores está o jurista e o ex-ministro do Trabalho, Almir Pazzianotto. O prefeito de Capivari, Rodrigo Proença (PSDB), afirma que a cidade se orgulha de seu Tiro de Guerra. "É uma escola de cidadania, que auxilia na formação de nossa juventude."

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Os 100 anos do Tiro de Guerra de Capivari foram comemorados no dia 20 de setembro, com a presença do general de Exército João Camilo Pires de Campos, comandante militar do Sudeste, homenageado com o título de cidadão honorário. Na ocasião, lembrou que, ao todo, oito tiros de guerra em sua área de comando chegavam ao centenário.

"O orgulho que temos do nosso Exército não é pelo armamento, nem pela quantidade de helicópteros ou pelas missões que fazemos. É porque temos valores, temos história", disse.

Mais de 600 pessoas participaram da cerimônia, encerrada com a Canção do Expedicionário, apresentada pela Banda de Música da Escola Preparatória de Cadetes de Campinas.

 

 

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