Teto de terminal em Cumbica desaba, fere 2 e deve adiar abertura de 'puxadão'

Enquanto o governo federal anunciava medidas antiapagão aéreo e confirmava para o dia 20 a data de abertura do novo Terminal Remoto do Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, a obra literalmente desabava. Parte do teto do terminal em construção caiu, deixando dois funcionários levemente feridos. A empreiteira Delta, contratada por R$ 86 milhões pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), não explicou o motivo do acidente e diz que a data de inauguração agora vai ser "reavaliada".

NATALY COSTA, O Estado de S.Paulo

03 Dezembro 2011 | 03h03

O desabamento aconteceu entre 13h30 e 14h de ontem, quando o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt e os presidentes da Infraero, Gustavo do Valle, e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcelo Guaranys, estavam no auditório do aeroporto falando sobre melhorias nas operações de fim de ano. Todos foram embora antes que a notícia sobre o acidente se espalhasse. A Infraero diz que a responsabilidade sobre o fato é toda da Delta Construções - que lidera o ranking de empresas que mais receberam recursos da União nos últimos cinco anos.

Em nota, a Delta disse que o problema aconteceu na estrutura auxiliar de sustentação dos dutos de ar-condicionado e os operários feridos já foram liberados, após receberem atendimento da equipe médica do aeroporto e dos bombeiros. Informou também a situação na obra foi normalizada.

Trabalhadores ouvidos pela reportagem afirmam, no entanto, que faziam tudo "com pressa". O prazo oficial dado pela Infraero para a Delta para deixar o Terminal Remoto pronto era janeiro, mas o governo exigiu da construtora que deixasse o espaço "operacional" - ou seja, pronto para funcionar - até o dia 20 deste mês, como o Estado adiantou anteontem. Assim, Cumbica ganharia um "puxadão" para mais 5,5 milhões de passageiros por ano, aumentando em quase 30% a capacidade do aeroporto.

Tanto o Ministério Público Federal (MPF) como o Tribunal de Contas da União (TCU) já haviam questionado a obra, que chegou a ser interrompida por quase dois dias em setembro, menos de dois meses depois de ter começado.

Se fosse entregue no dia 20, seria um terminal inteiro construído em apenas cinco meses. Em agosto, a Infraero entregou outro "puxadinho" em Cumbica - uma sala de embarque com capacidade para 1,2 milhão de passageiros por ano, construída em quatro meses.

Onde fica. O Terminal Remoto fica a quase 2 quilômetros de distância dos outros terminais e terá entrada independente. Está sendo construído na área de cargas, onde ficava o antigo galpão da Vasp, com 12,2 mil m². Na prática, é o terceiro terminal de Cumbica - oficialmente, o Terminal 3 propriamente dito está em fase de terraplenagem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.