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Testemunha diz que black bloc armou rojão que atingiu cinegrafista no Rio

Fábio Grellet, Thaise Constâncio - O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2014 | 02h 03

Trata-se de um rojão de vara e não foi usado por nenhum policial, segundo concluiu a Polícia Civil

RIO - Uma testemunha afirma que o artefato que atingiu e feriu gravemente o cinegrafista da Band Santiago Ilídio Andrade, durante um protesto promovido anteontem na Central do Brasil, no centro, foi lançado por um black bloc. Trata-se de um rojão de vara e não foi usado por nenhum policial, segundo concluiu a Polícia Civil.

Andrade está internado em estado grave no Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro. A pessoa que acendeu o rojão ainda não foi identificada. Quando for encontrada, será indiciada pelos crimes de explosão e tentativa de homicídio (com agravante de uso de explosivo), com pena de até 30 anos de prisão. A polícia analisa imagens de câmeras instaladas nas imediações.

Um fotógrafo que não quer se identificar flagrou o momento em que o rojão atingiu Andrade e a fuga do atirador. No flagrante, o homem estava de costas, trajando camisa cinza, calça jeans e lenço preto no rosto, o que indica que seria adepto do movimento Black Bloc. Vários vídeos mostram o episódio, mas nenhum exibe o rosto dele.

Nas redes sociais, o movimento Black Bloc negou ter ligação com o manifestante. "Reparem na tentativa (de novo) de querer incriminar uma tática (de ser black bloc). Porque grupo não é, nunca será! Outra observação: Quem adere à tática sabe que todos só usamos a cor negra (em referência aos trajes coloridos do suposto agressor)."

"Esse rojão é acionado por um pavio e tem duas etapas: primeiro, é lançado um foguete, com cerca de 60 gramas de pólvora, e, segundos depois, esse explosivo é detonado", contou o inspetor de polícia e técnico em explosivos Elington Cacella, integrante do Esquadrão Antibombas da Polícia Civil.

Segundo ele, por segurança, recomenda-se que o artefato só seja aceso após ficar preso na extremidade de uma vara de pelo menos 1 metro. No caso de anteontem, porém, o artefato estava no chão, na praça na frente do Comando Militar do Leste. Ele teria sido posicionado na direção dos policiais.

Sem autorização. Embora a compra desse tipo de rojão seja liberada, para usá-lo em público é preciso autorização das autoridades, como os bombeiros. Conforme a polícia, tem sido comum o uso deles em manifestações de rua desde junho. "Muitos artefatos exatamente iguais a esse já foram apreendidos", afirmou Cacella.

A perícia só foi realizada ontem de manhã, embora a calçada tenha constante movimento de pedestres e não tenha ficado isolada. Depois de recolhidos os fragmentos, os peritos testaram rojões, cujas explosões causaram efeito visual idêntico ao que mostram as imagens divulgadas. As roupas do cinegrafista também serão analisadas.

O chefe da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso, pediu que testemunhas procurem a polícia para denunciar quem acendeu o artefato. O delegado Maurício Luciano de Almeida, da 17.ª DP (São Cristóvão), que investiga o caso, também vai ouvir pessoas que estavam no local, incluindo o comandante do 5.º Batalhão da PM, Luiz Henrique Pires. Além de Andrade, outras seis pessoas ficaram feridas no protesto organizado contra o aumento da passagem municipal de R$ 2,75 para R$ 3, nenhuma com ferimentos graves. Trinta e duas pessoas foram detidas e liberadas após prestar depoimento.

Novo ato. Nas redes sociais, um novo ato contra o aumento da passagem está marcado para segunda, às 17h, na Candelária. Quase 3 mil pessoas confirmaram a presença online.