Tempo médio de viagem em coletivos na Grande SP sobe 13%

Pesquisa Origem e Destino mostra que, em 10 anos, tempo gasto aumentou em oito minutos, de 61 para 69

Carolina Ruhman, Agência Estado

02 Abril 2009 | 16h35

O número de viagens diárias da população da Região Metropolitana de São Paulo cresceu 22% entre 1997 e 2007 e chegou a 38,2 milhões, concentradas sobretudo nos meios coletivos de transporte e acompanhadas por um aumento considerável do tempo médio de viagem. Segundo o levantamento, o tempo médio gasto no transporte coletivo avançou de 61 minutos para 69 minutos, enquanto no individual avançou de 29 minutos para 33 minutos, duas altas de cerca de 13%.

 

Veja também:

especialEspecial - Como os paulistanos se locomovem

 

Os dados fazem parte da Pesquisa Origem e Destino, divulgada nesta quinta-feira, 2, pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos na capital paulista. Apesar de o trânsito ser um problema crônico de São Paulo, o secretário dos Transportes, José Luiz Portella, afirmou que a situação deve melhorar porque os resultados da pesquisa mostram o acerto do Plano de Expansão do Transporte Metropolitano. "As áreas que apresentam a maior concentração de fluxos de viagem coincidem com os projetos de expansão em andamento", apontou.

 

O plano prevê R$ 20 bilhões em recursos que visam ampliar a rede de metrô de 61 quilômetros para 240 quilômetros e a aquisição de 107 trens - hoje a frota é de 117 trens. A previsão da Secretaria dos Transportes é de que, com essa ampliação, o tempo médio de viagem diminua 25% no sistema metrô e CPTM e o número de passageiros transportados cresça 55%.

 

A pesquisa mostra também que, no período da manhã, foi registrado 1,2 milhão de viagens a mais em 2007 do que em 1997, um aumento de 41%. No fim da tarde, este avanço foi de 900 mil viagens, uma alta de 30%. Na hora do almoço, a alta foi de 500 mil (15%).

 

Classes C e D

 

A pesquisa mostrou que entre 1997 e 2007 as viagens em transporte coletivo tiveram expansão de 33%, resultado muito superior ao crescimento das viagens individuais, que foi de 14%. Já as viagens a pé aumentaram 17% no período. Portella chamou atenção para o fato de o crescimento populacional em São Paulo entre 1997 e 2007 ter sido concentrado nas classes C e D. Da mesma forma, a pesquisa verificou aumento de pessoas com renda familiar entre dois e oito salários mínimos utilizando o transporte coletivo.

 

Neste contexto, foi registrada uma inversão na tendência de queda da participação do transporte público e de avanço no individual. Em 2007, as viagens em transporte coletivo representaram 55% do total, contra 45% do modo individual. No levantamento de 1997, o transporte coletivo e individual estavam praticamente empatados, após uma tendência de queda da participação do transporte coletivo desde 1967, quando o primeiro levantamento foi realizado. "O fato mais importante dessa pesquisa foi a reversão na tendência do modo como as pessoas se deslocam", destacou Alberto Epifani, diretor de planejamento da CPTM.

 

Segundo a pesquisa, a população da região metropolitana cresceu 16% no período, totalizando 19,5 milhões de habitantes. Este aumento foi acompanhado na mesma proporção pela expansão da frota de automóveis particulares, que passou de 3,09 milhões para 3,6 milhões. Assim, a taxa de motorização ficou em 184 veículos por mil habitantes em 2007, mesmo resultado obtido em 1997.

 

A Secretaria dos Transportes destacou que a oferta de postos de emprego na região avançou a um ritmo superior ao do crescimento populacional, a uma taxa de 30% no período, somando 9,1 milhões de vagas. A concentração dos empregos no centro expandido da capital recuou de 67% do total em 1997 para 65% em 2007, o que indica perda de empregos em benefício de outras regiões.

 

Bicicleta e a pé

 

De acordo com a pesquisa, dos 38,2 milhões de viagens realizadas diariamente na região metropolitana, 25,6 milhões são motorizadas - transporte coletivo e individual - e 12,9 milhões são feitas de bicicleta ou a pé. As viagens motorizadas registraram aumento de 23% entre 1997 e 2007 e as não motorizadas, avanço de 18%. Desta forma, as viagens motorizadas passaram a responder por 66% do total, ante 65% em 1997, e as não motorizadas por 34%, ante 35% em 1997.

 

O modo de transporte coletivo mais utilizado é o ônibus. Em 2007, o total de viagens diárias de ônibus foi de 11,1 milhões, um aumento de 25% ante 1997. Entretanto, a maior expansão foi verificada nas viagens de trem, que cresceram 130% entre 1997 e 2007, para 1,8 milhão. Já o total de viagens diárias de metrô subiu 31%, para 2,2 milhões.

 

A pesquisa Origem e Destino é realizada desde 1967 a cada dez anos. Nesta quinta edição, ela abrangeu os 39 municípios da Região Metropolitana de São Paulo. As entrevistas para a base de dados começaram em agosto de 2007 e totalizaram 214 dias de trabalho em campo e 30 mil entrevistas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.