Tempo gasto na Bandeirantes está até 20,6% menor

Tráfego nos 7 km da via entre a Imigrantes e a entrada da [br]Marginal flui melhor após abertura do Trecho Sul do Rodoanel

Renato Machado e Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2010 | 00h00

A barreira sobre rodas formada por caminhões na pista da direita da Avenida dos Bandeirantes, na zona sul, não existe mais desde que o Trecho Sul do Rodoanel foi aberto ao tráfego na semana passada. O resultado é comemorado pelos motoristas, que conseguem diminuir em até 20,6%, em média, o tempo gasto no trajeto de 7 km entre o acesso da Rodovia dos Imigrantes até a Ponte Ary Torres, na entrada da Marginal do Pinheiros.

Esse porcentual é resultado de medições feitas pela reportagem do Estado, que percorreu a via várias vezes no período de pico da manhã no dia 30 de março, ainda sem o Trecho Sul em operação, e ontem, com o Rodoanel ampliado e sem a influência do retorno do feriado.

O período da manhã - entre 7h30 e 9 horas -, quando a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registra mais de 5 km de lentidão no sentido Marginal do Pinheiros da Bandeirantes, é um martírio para motoristas que precisam passar pela via que liga a zona sul da capital até a Marginal. A avenida também é usada por caminhões que saem da Baixada Santista e região do ABC com destino ao interior.

"Se eu chegar na Bandeirantes antes das 6h30, consigo andar um pouco. Se atraso 10 minutos, é um problema. Não anda", reclama Raquel Silveira, que mora no Ipiranga, zona sul, e trabalha em Cotia. Diariamente ela percorre a Bandeirantes até a Marginal do Pinheiros para ir ao trabalho.

Pico da manhã. No dia 30 de março, o Estado percorreu duas vezes esse percurso no pico da manhã. Em um deles, levou 48 minutos e, no outro, 44 minutos. Esses 44 minutos para percorrer 7 km equivalem a uma velocidade média de 159 metros por minuto, ou meros 9,54 km/h. Para ter uma ideia do desgaste que é esse trânsito, um gato doméstico consegue percorrer até 800 metros em um minuto.

A inauguração do Trecho Sul do Rodoanel fez esse tempo cair, mesmo quando a comparação é feita entre um dia em condições climáticas normais e outro com chuva forte. Ontem, por exemplo, a cronometragem cravou 38 minutos e 35 minutos nos mesmos 7 km, uma diminuição de 13,6% e 27%, respectivamente.

Muito em decorrência das fortes chuvas, a Avenida dos Bandeirantes não ficou totalmente livre dos congestionamentos, como havia ocorrido na segunda-feira - nessa data, a redução na lentidão chegou a 75%. A CET chegou a registrar 7 km de congestionamentos na pista sentido Marginal, ou seja, toda a via estava travada. No entanto, as paradas foram menos duradouras em relação à terça-feira passada. O trecho entre o Aeroporto de Congonhas e a entrada da Avenida Santo Amaro, por exemplo, tradicional gargalo da via, ontem fluía com menos dificuldade.

Já no sentido contrário, partindo da Ponte Ary Torres até a Imigrantes, o tempo foi infinitamente menor. Nesse período o fluxo de trânsito é muito menor que o da outra pista. No dia 30 de março, o carro da reportagem demorou 10 minutos nas duas vezes.

Ontem, foram 9 minutos, aproveitando uma sequência de semáforos abertos em uma das passagens e oito vezes em outra, resultando em uma diminuição de 10% e 20%, respectivamente.

Exportação. Para Cristiano Cecatto, especialista em logística e gerente executivo da Qualilog Consulting, ainda é muito cedo para tirar alguma conclusão sobre os efeitos do Rodoanel no trânsito de São Paulo. "Era um resultado esperado a diminuição do número de caminhões e a facilidade para outros veículos transitarem na Avenida dos Bandeirantes com a abertura do Trecho Sul", diz. Entretanto, Cecatto destaca a necessidade de se levar em conta os períodos de exportação para conseguir quantificar o número de caminhões que vão circular pelos corredores paulistanos.

"O Brasil não tem exportação contínua e linear todos os meses. No período de safra agrícola, há mais caminhões nas ruas. Quando o mercado de eletrônicos se aquece, há mais caminhões com destino ao Porto de Santos e o trânsito fica mais complicado. Atualmente, a economia está mais em baixa. Assim não conseguimos quantificar essa melhora, apenas medimos tempo de viagem", explica.

O empresário James Akel, que mora na Rua Uapixana, uma travessa da Bandeirantes no bairro de Indianópolis, comemora a diminuição de caminhões transitando pela avenida, mas também prefere esperar mais alguns dias para conferir como o trânsito vai se comportar - e se a melhora será definitiva. "É melhor esperar mais um tempo para ver se essa diminuição se consolida e o trânsito permanece melhor ou se isso é apenas uma situação de momento", considera o empresário.

PARA LEMBRAR

Prefeitura estuda proibir caminhões

Apesar da melhoria na fluidez, a Avenida dos Bandeirantes ainda deve passar por mudanças nos próximos meses. A Secretaria Municipal dos Transportes ainda estuda proibir a circulação de caminhões na via. O titular da pasta, Alexandre de Moraes, chegou a dizer em julho do ano passado que a medida seria adotada assim que o Trecho Sul do Rodoanel fosse inaugurado.

"Não vão mais passar caminhões. Com o Rodoanel, não há nada que explique caminhão na (Avenida dos) Bandeirantes", afirmou na ocasião.

No dia da inauguração, no entanto, Moraes informou que a adoção ou não da medida ainda vai depender da conclusão de estudos realizados pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). A previsão é que uma decisão seja tomada entre 60 e 90 dias. Os técnicos querem verificar se os caminhões migram naturalmente para o Rodoanel ou se será necessária uma proibição.

No próximo ano, porém, começará a cobrança de pedágio no Trecho Sul, fator pode mudar esse direcionamento. Caso não haja proibição, muitos caminhões devem voltar para a Avenida dos Bandeirantes para fugir da taxa.

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