'Temos posição clara contra o atual governo'

Líder petista nega que acordo na Câmara para que o partido participe da Mesa Diretora amenize a oposição a Kassab

Entrevista com

DIEGO ZANCHETTA, O Estado de S.Paulo

17 Dezembro 2011 | 03h04

O PT paulistano garante que não vai afrouxar a oposição ao prefeito Gilberto Kassab (PSD) em 2012. Um dia após o candidato kassabista José Police Neto (PSD) ser reeleito para a presidência da Câmara com o apoio de vereadores petistas, o presidente da sigla na capital, vereador Antonio Donato, disse que a composição não vai aliar o partido ao governo. Responsável pela negociação que evitou as prévias no partido para a eleição municipal em favor do ministro da Educação, Fernando Haddad, o parlamentar classifica e política do atual prefeito de "higienista" e nega que tenha vereadores em sua bancada agindo pró-governo. "Cada parlamentar tem seu perfil", declarou o vereador.

O PT vai ser oposição mesmo após compor o comando da Câmara com o partido do prefeito?

Totalmente. O acordo foi para garantir a proporcionalidade. Temos a maior bancada, com 11 vereadores. Na Mesa vamos ter um controle maior sobre a pauta da Casa. E isso vai fortalecer nosso poder de oposição.

Por que a bancada não obstruiu mais a votação dos projetos do prefeito após o acordo, como o reajuste de 236% para os subprefeitos?

Já fizemos dois anos de obstrução ao aumento dos salários. E não fazemos oposição por fazer. Não posso votar contra o monotrilho, que a burguesia do Morumbi é contra, mas o povo pobre de Paraisópolis quer. Não vou votar contra o Piritubão, que era previsto no Plano Diretor de 2002, criado na nossa gestão. Oposição não se faz só no plenário, se faz nas ruas, nos movimentos sociais. E nós temos uma posição clara contra a política do atual governo.

O prefeito não enfrentou uma oposição amena comparada à do PSDB no período da Marta?

Fazemos uma oposição responsável e com proposta. Negociamos mudanças nas propostas do governo, como foi no caso do Piritubão, que agora terá de manter 50% da área permeável.

A criação do PSD e a aproximação do prefeito com o governo federal não causa uma confusão nos partidos que normalmente são rivais em São Paulo?

A existência do PSD pode formar uma cena diferente na política. Mas na capital o PT vai ser oposição ao partido. Isso já foi definido em fevereiro pelo diretório municipal. Desde o início do flerte do Kassab com o governo Dilma deixamos claro que aqui somos oposição. Não existe orientação de cima para que as críticas ao prefeito sejam amenizadas.

Mesmo em eventual segundo turno contra o PSDB, Kassab não sobe no palanque do PT?

Isso quem tem de responder é ele. No primeiro turno nós vamos fazer um discurso contra essa administração com política higienista para o centro, que não fez corredores de ônibus, que terceirizou e piorou os serviços de Saúde. A decisão de subir no nosso palanque vai ser do prefeito, até porque o PT vai estar no segundo turno.

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