Tarde com 9 tiros na Alameda Santos

Ladrão com arma de brinquedo tentou roubar relógio de delegado da Polícia Federal, que reagiu e disparou, atingindo-o três vezes

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

21 Abril 2010 | 00h00

O ladrão se aproximou do homem de terno e gravata e o mandou entregar o relógio Tag Heuer. Tinha uma arma de brinquedo na mão e não sabia que a vítima era delegado da Polícia Federal. O policial sacou uma pistola calibre 9 mm de verdade. Foram 9 tiros em direção do criminoso; três acertaram o alvo. O caso ocorreu às 13h40 de ontem, na Alameda Santos, nos Jardins, na zona sul de São Paulo.

O nome do delegado não foi divulgado pelo 78º Distrito Policial, a delegacia dos Jardins. Sabe-se que o delegado estava a trabalho, quando deixou sua motocicleta no estacionamento embaixo do Parque Trianon. Caminhava pela calçada da Alameda Santos em frente de uma agência do Bradesco quando viu o suspeito do outro lado da rua, em frente ao Hotel Tivoli (antigo Mofarrej).

"Ele viu o rapaz vindo em sua direção e percebeu algo errado", contou a delegada Victoria Lobo Guimarães, titular do 78º DP. O policial federal afirmou que tentou atravessar a rua para evitar o suspeito, mas não conseguiu, pois o trânsito não permitiu. O jovem foi em direção ao federal, parou ao seu lado e perguntou-lhe as horas. "São 13h40", respondeu o policial, que não tirou os olhos do homem.

O acusado seguiu pela calçada, distanciando-se do policial. Parou em um ponto de táxi e perguntou a um taxista alguma coisa, como se buscasse uma informação sobre uma rua. O taxista fez um gesto, apontando para a esquina perto de onde o delegado estava.

"Passa o relógio". O suspeito parecia tentar pegar desprevenido o policial. Voltou a caminhar em direção da vítima e, ao se aproximar, sacou a arma. "Passa o relógio, vai, passa o relógio!", afirmou. O federal, que acompanhava a movimentação do suspeito, sacou sua pistola e atirou.

O assaltante tentou correr. "Para, para, se não eu atiro",gritou o federal. O homem caiu na calçada com a arma na mão. O policial telefonou para a Polícia Militar. Em dois minutos, os homens do 7º Batalhão chegaram ao local e levaram o acusado para o pronto-socorro do Hospital das Clínicas. "Só então o delegado constatou que a arma do ladrão era de brinquedo", disse a delegada Victoria.

A arma de brinquedo do acusado e a pistola do delegado - de propriedade da PF - foram apreendidas pelo 78º DP. Os policiais da delegacia tentaram confirmar a identidade do suspeito, mas não conseguiram porque ele estava na sala de cirurgia ainda no meio da noite de ontem - o estado de saúde dele era grave. Uma carteira escolar foi achada ao lado do acusado. De acordo com a delegada, ela pertence a um jovem que completou 18 anos há um mês. Esse rapaz teria sido detido inúmeras vezes quando era adolescente praticando roubos nos Jardins.

Comparsa. Uma testemunha contou aos investigadores do 78º DP que o acusado tinha a companhia de um comparsa, que não foi visto pelo delegado federal. O outro assaltante fugiu com os disparos.

Essa mesma testemunha reconheceu o rapaz baleado como o homem que tentou roubar o delegado. O jovem ia ser autuado em flagrante sob a acusação de tentativa de roubo. A polícia agora vai tentar identificar o segundo ladrão e chamar outras vítimas de roubo na região para que elas tentem identificar o ladrão preso.

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