Tarantino e Sergio Leone, na reta final do Festival de Cannes

Festa dos 20 anos de 'Pulp Fiction - Tempo de Violência' reuniu, além do diretor, Uma Thurman e John Travolta

LUIZ CARLOS MERTEN, ENVIADO ESPECIAL / CANNES, O Estado de S.Paulo

25 Maio 2014 | 02h05

Está sendo um ano de comemoração em Cannes: 50 anos de Matrimônio à Italiana, de Vittorio De Sica, com Sophia Loren, madrinha da seção Cannes Classics; 30 anos da Palma de Ouro de Paris, Texas, de Wim Wenders; e 20 da de Pulp Fiction - Tempo de Violência, de Quentin Tarantino. O diretor de Bastardos Inglórios foi o destaque da sexta-feira na Croisette. Deu uma coletiva em que disse que a Palma dá prestígio, e ele deve tudo à sua consagração com Pulp Fiction. Definiu-se como um diretor que faz filmes para si mesmo, colocando na tela o que gosta de ver, mas acrescentou: o público está sempre convidado para as suas festas. Seu desejo é compartilhar um tipo de cinema baseado na cinefilia.

Tarantino mostrou, na sexta-feira à noite, no Cinema da Praia, a versão restaurada de Pulp Fiction. Foi acompanhado por Uma Thurman e John Travolta. Ontem, teve nova atividade oficial. O festival encerrou-se com a exibição de Por Um Punhado de Dólares, de Sergio Leone. Tarantino foi convidado para apresentar a sessão. Disse que Leone, com sua sensibilidade europeia, subverteu a tradição do western americano, ao transformá-lo em ópera. Celebrou a parceria do diretor com o compositor Ennio Morricone como uma das mais ricas da historia do cinema.

Cannes, normalmente, termina num domingo, mas como hoje ocorrem as eleições legislativas na França, o festival resolveu antecipar seu encerramento, que foi ontem à noite. A crítica já se havia antecipado na distribuição de seus prêmios. Venceram, na competição, o turco Nuri Bilge Ceylan, de Winter Sleep, e o argentino Lisandro Alonso, por Jauja, na seção Un Certain Regard. Havia muita expectativa pelo novo filme de Ceylan, e ele correspondeu. Não é seu filme mais perfeito, mas Ceylan é um filósofo do cinema. Winter Sleep é esplendidamente filmado e iluminado, e tem alguns dos diálogos mais complexos da tela. O protagonista é um intelectual, um ex-ator que possuiu uma coluna num jornal e quer escrever uma história do cinema na Turquia.

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