Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Suporte tecnológico beneficia a inclusão

Acesso à tecnologia móvel e surgimento de aplicativos voltados para atendimentos especializados têm crescido e se mostrado um caminho para reduzir dificuldades na vida dessas crianças e jovens

Luiz Fernando Toledo; Paulo Saldaña, O Estado de S.Paulo

28 Dezembro 2015 | 02h01

A inclusão de estudantes com deficiência na educação ainda é um desafio para o País, seja nas escolas públicas ou privadas. Mas o acesso à tecnologia móvel e o surgimento de aplicativos - pagos ou gratuitos - voltados para atendimentos especializados têm crescido e se mostrado um caminho para reduzir dificuldades na vida dessas crianças e jovens.

Nos tablets e smartphones mais modernos é possível baixar aplicativos ou acessar sites que podem acompanhar a rotina dos mais novos. Há também sistema para letramento de pessoas com autismo e até tradutor simultâneo para língua de sinais.

A redatora e pesquisadora Denise Crispim, de 36 anos, comprou um tablet para auxiliar a filha Sofia, de 10 anos, que tem paralisia cerebral.

No começo deste ano, a menina começou a usar o equipamento para facilitar a leitura de livros digitais, anotar as lições e evitar esforços desnecessários em cópias da lousa.

"Ela escreve melhor no Ipad (marca de tablet) e com menos esforço, pode fotografar a lição e não gastar tanta energia com cópias. Assim, ela produz mais com esses recursos disponíveis", diz. A escola, no entanto, ainda resiste à novidade. "Ainda há receio e insegurança de os professores não saberem lidar com isso na sala", diz.

A maior mudança, no entanto, foi quando ela passou a usar o aplicativo Minha Rotina, disponível para iPad, que organiza as atividades do usuário na escola, em casa e na clínica de atendimento especializado, por exemplo, atualizando para todos os envolvidos os cuidados da criança. "Dá para ver todo o planejamento e desenvolvimento motor dela. Como a Sofia faz para sair da cadeira e ir para o sofá, por exemplo."

Autismo. Para estudantes com autismo e dificuldade para se comunicar, aplicativos como Que Fala!, Talkboard e Scala, disponíveis para tablets Android, podem ser uma opção. Esses softwares, conhecidos como comunicação alternativa, usam de um sistema de prancha digital, que permite a introdução de símbolos. A ideia é que a criança possa apontar para as figuras que representem pensamentos, ações, desejos, entre outros elementos.

A empresária Marilei Moreira Vasconcelos Fernandes, de 50 anos, viu no tablet a chance de substituir as antigas pastas de figuras usadas por seu filho com autismo, Tomás, de 14 anos, para se comunicar. "Ele utilizava figuras impressas em um fichário. Levava na escola, festa, casa de parentes. Mas chegou uma hora em que ele não queria mais usar caderninhos", contou.

A solução foi bem recebida só depois de transferir o filho para o Colégio Paulicéia, na zona sul, onde há suporte para a inclusão. No colégio anterior, diz a mãe, houve dificuldades em aceitar o equipamento. "Ele pode comunicar onde quer ir, alimentação, familiares, coisas que gosta de fazer, sentimentos de dor", conta.

Leitura. Já no caso de estudantes com deficiência visual, há não só aplicativos como também acessibilidade nos smartphones. Em aparelhos Android, por exemplo, o sistema Talkback permite o uso do celular por meio de respostas faladas e por vibração do dispositivo. Outra opção é a leitura de livros digitais com áudio, como o DDReader.

A estudante de Jornalismo Marina Yonashiro, de 21 anos, usa a ferramenta para acessar outros aplicativos no celular, como um organizador de tarefas e o Spotify, para ouvir músicas. "Assim a pessoa com deficiência visual consegue usar até aplicativos que não são adaptados", conta.

Para a fonoaudióloga Adriana Peres, da Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), tecnologias de comunicação alternativa podem ser positivas, desde que com apoio de uma equipe pedagógica. "A tecnologia tem de ser funcional", diz. Já a terapeuta ocupacional Ana Carolina Rodrigues da Silva comenta a importância de possíveis adaptações nos equipamentos. "É preciso considerar o aspecto visual, o cognitivo e o motor. Como essa criança vai acessar o dispositivo? Como vai utilizá-lo? A partir disso pensamos nas adaptações". 

Ela explica que há casos, por exemplo, em que um paciente que não consiga usar as mãos no tablet, mas consegue acessá-lo por meio de um capacete com ponteira. Há ainda outras adaptações possívels, como fixar o tablet na cadeira de rodas e até o uso de acionadores que podem ficar no joelho, cotovelo ou até no queixo da criança e que, com um só botão, acionam tarefas nos dispositivos digitais.

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