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Sumaré vive folia do Aterro do Flamengo por um dia

Laura Maia de Castro - O Estado de S. Paulo

22 Fevereiro 2014 | 23h 23

Organizadores do bloco carioca Sargento Pimenta estimam mais de 50 mil pessoas na zona oeste; Gueri-Gueri fez carnaval vip no Ibirapuera, zona sul

Atrás de 43 blocos, os paulistanos viveram ontem um pré-carnaval tipicamente carioca. Mesmo sem o Pão de Açúcar como cenário, o bloco Sargento Pimenta transformou a Avenida Sumaré na tarde deste sábado, 22, em Aterro do Flamengo, onde se apresenta anualmente. Era um mar de gente, pulando e cantando em coro músicas dos Beatles em ritmo de samba. A organização estimou 50 mil pessoas.

A folia não teve idade. Para todos os lados que se olhava na Avenida Sumaré era possível ver bebês de colo, crianças, grupos de jovens e idosos. Benjamin, por exemplo, tem apenas 10 meses, mas conheceu um pouco do carnaval de rua. No colo do pai, olhava tudo e todos que passavam pela avenida. "Ele está completamente deslumbrado, todo mundo que passa vem falar com ele. Está chamando bastante atenção", disse o pai Francisco Nogueira, que é psicanalista.

Já Carolina Mesquita Vieira, de 32 anos, não hesitou em curtir os blocos mesmo estando grávida de nove meses. "A gente mora aqui perto e resolvi descer para conferir. É muito legal", disse.

Enquanto a maioria dos foliões optou por usar acessórios como chapéus e arcos, alguns foram completamente caracterizados. Foi o caso do engenheiro Diego Thieme, de 24 anos. Vestido de Minnie, com direito a saia e meia calça arrastão, ele chamou atenção e foi alvo de muitas fotografias. "Todo mundo passa e dá risada. Eu me divirto bastante", disse Thieme.

Pela manhã, a Avenida Sumaré foi tomada pelo bloco Bangalafumenga, também do Rio.

Neste domingo, 23, mais 24 blocos vão desfilar pelas ruas de São Paulo. O Confraria do Pasmado, tradicional bloco paulista, espera reunir mais de 15 mil.

Vip. O bloco de carnaval Gueri-Gueri também desfilou ontem. Os foliões, vestidos com a camisa do bloco - que custou R$ 120 - ingressavam em uma área cercada com grades e seguranças ao lado do Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. No espaço, havia um palco, banheiros químicos e várias tendas onde estavam sendo vendidas bebidas. Cerca de 2.500 pessoas eram esperadas pelos organizadores.

Formado nos Jardins em 1986 e fora do carnaval de rua paulistano desde 2003, o bloco é o único de São Paulo com espaço vip e camiseta personalizada - mesmo depois de o prefeito Fernando Haddad (PT) ter proibido por decreto, no dia 6, cordões de isolamento e venda de abadás.

Um dos organizadores, Felipe Aversa, de 36 anos, disse que dois eventos simultâneos foram pensados. "Um é a ‘Arena Gueri’, que é fechada e só entra quem paga. O outro é o bloco Gueri-Gueri, aberto, sem cordas, e que vai até o Obelisco."

A administradora carioca Juliana Oliveira, de 35 anos, disse que a ideia do bloco não é segregar ninguém. "Quem comprou a camisa como a gente não quer segregar, mas quer, sim, um banheiro e a possibilidade de comprar bebida com mais tranquilidade." Ela veio com mais três cariocas, uma gaúcha e uma paulistana. As amigas, todas portando a caxirola - espécie de chocalho -, que estava sendo distribuída, já entravam no clima da folia na "porta de entrada".

O professor Ancelmo José Simões mora na região e foi com a família ao local do evento por achar que se tratava de um espaço aberto. Ao questionar uma funcionária, soube que os ingressos estavam sendo vendidos no Shopping JK Iguatemi. "Achei que era um espaço democrático", disse ele. / COLABOROU MÔNICA REOLOM