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Subcomandante da UPP Vila Cruzeiro é morto com tiro na cabeça

Wilson Tosta - O Estado de S. Paulo

14 Março 2014 | 09h 08

Crime aconteceu no fim da noite desta quinta, quando traficantes fizeram quatro ataques simultâneos em pontos diferentes da região, na zona norte

Atualizada às 18h24

RIO - Poucas horas após a ocupação da Vila Kennedy, na zona oeste da capital fluminense, pela Polícia Militar para a instalação da 38ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o aspirante a oficial Leidson Acácio Alves, de 27 anos, subcomandante da UPP Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, foi morto com um tiro na cabeça em confronto com criminosos. Ele foi atingido na Rua 10 e chegou a ser levado com vida ao Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu ao ferimento na testa. O crime aconteceu no fim da noite de quinta-feira, quando traficantes, por volta de 22h30, fizeram quatro ataques simultâneos a PMs em pontos diferentes da região.

Acácio - que seria aspirante a oficial e teria se formado na Academia D. João VI, da Polícia Militar, em 1º de dezembro de 2013-, foi atacado com outros sete policiais militares. Depois dos ataques dos criminosos, policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), do Batalhão de Choque (BPChoqu), das UPPs da região e do 16ª BPM (Olaria) fizeram uma operação no Alemão, mas apenas um menor de idade foi apreendido. Esta foi a 11ª morte de um policial de UPP desde 2012.

Cabral. Ao comentar na tarde desta sexta-feira, 14, a morte de mais um policial militar em favelas pacificadas, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), chamou de covarde o traficante que atirou e matou o tenente Leidson Acácio Alves Silva, de 27 anos, na Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, zona norte. O crime ocorreu no final da noite dessa quinta, 13. Cabral disse ainda que está solidário com a família do oficial.

"Nessa madrugada, covardemente, os marginais atiram em um PM e fogem. Até nossa chegada ao governo, a PM enfrentava os bandidos e voltava para o quartel, e quem tomava conta dos territórios eram os bandidos. Hoje, quem toma conta dos territórios é a polícia. Vamos pegar esses covardes com a política de inteligência. Prendemos, essa semana, diversos marginais que tentam desordenar o processo de pacificação e não irão conseguir", afirmou Cabral, ao participar da inauguração de uma fábrica de cobre no município de Itatiaia, na Região do Vale do Paraíba.

Família. A família do aspirante a oficial da PM deixou no final da manhã desta sexta-feira, 14, o Instituto Médico Legal, após fazer o reconhecimento do corpo. A mulher dele, Jaqueline Oliveira, de 26 anos, estava muito emocionada. "Estou muito abalada. Eu o conhecia desde adolescente. Eu tinha 14 e ele, 15, quando começamos a namorar", contou. O casal não tinha filhos.

A mãe do PM chegou a se aproximar dos repórteres de plantão no IML, mas foi levada para dentro por outros PMs e orientada a não dar declarações. O corpo do PM será enterrado no cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, às 17h30.

Segurança. Na quinta-feira, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, afirmou que os problemas nas UPPs ocorrem basicamente em duas regiões: Alemão e Rocinha.  Nesta sexta, Beltrame anunciou que vai deslocar para dentro do Complexo do Alemão a Companhia de Instrução do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Também haverá operações policiais em favelas dominadas pela mesma facção que atua no Alemão. As medidas são a resposta da secretaria aos ataques que PMs têm sofrido no conjunto de favelas, na zona norte.

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