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Spam da ''senha inversa de banco'' esconde golpe

Felipe Frazão - O Estado de S.Paulo

21 Maio 2011 | 00h 00

E-mail que 'ensina' como acionar a polícia em caso de sequestro relâmpago é falso e pode ser usado para obter informações sigilosas do internauta

E-mail que voltou a circular na internet sobre como agir em casos de sequestro relâmpago em caixas eletrônicos é falso e pode esconder uma tentativa de golpe. A mensagem intitulada Orientação de Uma Juíza Federal - Importante! é distribuída por hackers de forma viral e reencaminhada por usuários de computador em correntes de e-mail e grupos.

O spam (e-mail indesejado ou não solicitado) começou a ser disparado há pelo menos dois anos e a cada três meses volta a ser repassado. Ele dá falsos conselhos para o caso de alguém ser obrigado a sacar dinheiro de caixa eletrônico. O texto aconselha a manter a calma e a digitar a senha na ordem inversa, o que acionaria o sistema de emergência do banco e alertaria a polícia sem despertar suspeitas, pois o dinheiro seria fornecido normalmente pelo terminal eletrônico.

"Se sua senha for 1234, vc (sic) tecla 4321. O caixa eletrônico vai te dar o dinheiro, mas vai avisar a polícia, pois digitar uma senha invertida aciona o mecanismo de emergência!"

Segundo a Assessoria de Imprensa da 4.ª Delegacia de Delitos Praticados por Meios Eletrônicos da Polícia Civil de São Paulo, o e-mail é uma orientação mentirosa, uma "pegadinha". E, como não há favorecimento para o remetente, não pode ser considerado crime.

A polícia alerta que digitar a senha errada não faz o sistema do caixa eletrônico entregar as cédulas e, em alguns casos, pode bloquear o cartão do cliente do banco, impossibilitando-o de fazer novas operações.

Lenda. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) desmentiu a história quando o e-mail ficou conhecido. Em nota oficial publicada em seu site, a instituição afirma que "é improcedente e falsa a lenda urbana divulgada por spam". " Tal expediente é tecnicamente improvável."

A Febraban esclarece que a tentativa de golpe pode ocorrer dependendo da reação do internauta. "Quando a pessoa responde o e-mail, o hacker reconhece a existência de um usuário ativo e passa a mandar e-mails com pedido de recadastramento de senha para obter outros dados."

A recomendação da Febraban é que todos os e-mails de origem desconhecida ou suspeita sejam imediatamente deletados, antes mesmo de se abrir a mensagem. Eles costumam facilitar a entrada de programas espiões, que roubam senhas dos usuários e dão origem a fraudes.

Telefone falso. O e-mail vem assinado por Liliane P. Bastos. Ela seria juíza federal de Mediação Arbitral da Associação Nacional dos Analistas do Poder Judiciário e do Ministério Público da União (Anajus). Os contatos telefônicos anexos a seu endereço eletrônico, no entanto, não existem.

A diretoria da entidade, em Brasília, nega que seja responsável pelo alerta inventado e também publicou comunicado para desmascarar a farsa em sua página virtual.

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