SP só quer haitianos com carteira, CPF e visto provisório

Gestão Haddad vai pedir ao governo federal que os imigrantes sejam enviados do Acre com a documentação completa

RAFAEL ITALIANI, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2014 | 02h03

A Prefeitura de São Paulo pedirá para o governo federal que haitianos só sejam mandados do Acre para São Paulo com Carteira de Trabalho, CPF e visto provisório. A solicitação será feita ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em reunião prevista para hoje.

"Um planejamento prévio mínimo já dá condições, com o aquecimento do mercado de trabalho. O que temos de garantir é um fluxo razoável, sobretudo com a documentação", afirmou o prefeito Fernando Haddad (PT), na manhã de ontem, durante uma visita à Missão Paz, entidade no Glicério (região central) que nas últimas semanas tem recebido e abrigado os haitianos. Haddad também visitou o abrigo de emergência da Prefeitura que será liberado a partir de amanhã e tem espaço para 120 haitianos.

"Se a gente conseguir que as pessoas venham com a documentação, a possibilidade do fluxo ser mais rápido é muito maior. Isso possibilita receber mais gente, em uma velocidade maior ainda", afirmou o secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Rogério Sottili. No dia 28, ele havia criticado o governo do Acre, dizendo que os haitianos estavam sendo "despejados" em São Paulo.

Segundo o secretário, a articulação entre os governos envolvidos, assim como a vinda dos refugiados com a documentação, já poderia ter sido adotada antes. "Muita gente entra de forma irregular, então muitas dessas pessoas que estão vindo para cá talvez não passaram por esse processo de identificação. Mas é fundamental que o governo do Acre, a Prefeitura de São Paulo e o governo federal atuem em conjunto", disse Sottili. Ele participará da reunião em Brasília, nesta tarde, juntamente com o secretário municipal de Governo, Chico Macena.

Amanhã haverá outra reunião entre a Prefeitura e a Embaixada do Haiti. Segundo Haddad, São Paulo vai pedir que a representação diplomática crie um "posto avançado" para que os haitianos que chegam ao Brasil pelo Acre façam a emissão de documentos, antes de seguir viagem para a capital paulista.

Desde terça-feira, o governo do Acre parou de mandar os haitianos para São Paulo. O secretário de Direitos Humanos e Cidadania afirmou que isso foi combinado com o governador Tião Viana (PT) até que houvesse a reunião com o governo federal.

Recrutamento. Antes da chegada do prefeito Fernando Haddad e dos secretários, uma empresa terceirizada da operadora Vivo esteve na Missão Paz para buscar 35 haitianos que vão trabalhar como instaladores. Os imigrantes, com documentação, foram selecionados na semana passada. Caso se adaptem ao treinamento e sejam contratados, vão receber R$ 850 mensais, com adicional de 30% por periculosidade, hora extra e outros benefícios. Alguns dos selecionados têm experiência com instalação e telefonia e sabem falar português.

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