SP deve ganhar mapa das rotas de bikes neste ano

SP deve ganhar mapa das rotas de bikes neste ano

Despedindo-se do cargo, secretário de Esportes promete serviço que indica trajetos mais [br]adequados aos ciclistas

Ana Bizzotto, O Estadao de S.Paulo

02 Abril 2010 | 00h00

São Paulo pode ganhar ainda neste ano um mapa de rotas para estimular o uso da bicicleta como meio de transporte. Um convênio entre a Secretaria Municipal de Esportes e o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) deve ser assinado em dez dias para iniciar o projeto ? hoje em análise jurídico-financeira ? que inclui levantamento dos melhores trajetos, um site com as rotas e o acompanhamento de ciclistas por monitores.

O mapeamento vai traçar rotas adequadas ao deslocamento do ciclista, por serem mais tranquilas e seguras. Aspectos como aclives e sentidos da rua, infraestrutura de transporte ? estações de metrô, trem e corredores de ônibus ? e o plano cicloviário serão avaliados.

O projeto também pretende identificar equipamentos públicos e privados, locais de estacionamento e empréstimo de bicicletas, além de sugerir roteiros culturais.

O secretário municipal de Esportes Walter Feldman, que deixa o cargo hoje para concorrer ao Legislativo estadual, afirmou que são duas propostas e a ideia é ter o projeto implantado até o fim do ano. "Estamos analisando qual seria possível. Se for de toda a cidade, o estudo demora uns sete meses. Só do centro expandido, uns cinco meses."

O levantamento pode custar de R$ 148 mil a R$ 250 mil, dependendo do modelo escolhido. Mas, segundo o assessor técnico da secretaria, Daniel Guth, "é 100% garantido" que o mapa será do centro expandido, considerando as principais vias de acesso a ele. "Na periferia ou da periferia ao centro, as rotas não divergem muito."

Em campo. Para traçar as rotas, ciclistas experientes percorrerão as ruas com aparelhos GPS e pesquisadores do Cebrap usarão técnicas de geoprocessamento para cruzar informações do território ? rotas, equipamentos ou áreas de maior incidência de acidentes ? e desenhar o mapa. Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da pesquisa Origem-Destino, feita pelo Metrô em 2007, também serão considerados. Segundo o balanço, são cerca de 300 mil viagens diárias de bicicleta na região metropolitana. Na pesquisa anterior, de 1997, eram 160 mil.

Os mapas serão produzidos e distribuídos nos postos de empréstimo de bikes e grupos de cinco ou mais pessoas poderão agendar percursos com monitores. O serviço, conhecido como Bikebus, já funciona na Austrália, por exemplo.

A secretaria também planeja colocar o banco de dados em um site onde o ciclista poderia traçar a própria rota. Um serviço semelhante, criado recentemente pelo Google nos Estados Unidos, serve de inspiração. "Tivemos um encontro com o Google, que se mostrou interessado em uma parceria", afirma Gutt.

Demanda antiga. "Já passou da hora de se pensar nisso. Qualquer cidade do mundo tem de ter um planejamento de mobilidade. Em São Paulo, ele é único e exclusivamente dos carros", opina a cicloativista Renata Falzoni. "Se o mapa de rotas sair do papel e funcionar, será um diferencial, mas quero ver sair do papel. Ele já foi pensado em outras gestões por sugestão da sociedade civil, mas nunca foi concretizado."

"Há muito tempo os ciclistas tem como bandeira a criação desse mapa", concorda o cicloativista André Pasqualini, diretor geral do Instituto Ciclo Br. Ele integra o grupo que costuma sugerir informalmente boas rotas para pedalar na cidade. "Esse serviço com certeza ajudará muito, principalmente para ciclistas mais inexperientes. A partir dele, é importante fazer uma sinalização, direcionando o destino que o ciclista tem de seguir."

Para o ciclista Leandro Valverde, o mapa é uma solução mais viável a curto prazo. "As ciclovias demoram a ficar prontas. Compartilhar a rua é algo em que acreditamos e é mais fácil em ruas mais tranquilas. O uso contínuo acabará legitimando essas vias como ciclorrotas e contribuirá para os motoristas se acostumarem com os ciclistas e respeitá-los mais."

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