SP cobrará prejuízos na Paulista do movimento

O Metrô estima R$ 73 mil de gastos com a troca de luminárias e vidros quebrados

Bárbara Ferreira Santos, Caio do Valle, Felipe Tau, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2013 | 02h05

O governo do Estado vai acionar judicialmente os responsáveis pelos danos ao patrimônio público causados durante os protestos do Movimento Passe Livre (MPL) ocorridos na noite de anteontem. Segundo o Metrô, a intenção é que "os contribuintes e demais usuários não tenham de arcar com o custo desse lamentável episódio".

As manifestações contra o aumento de tarifas de ônibus, metrô e trem em São Paulo deixaram anteontem um rastro de destruição na Avenida Paulista e em ao menos quatro estações de metrô - Trianon-Masp, Brigadeiro, Consolação e Vergueiro.

A reportagem do Estado percorreu ontem as vias por onde os manifestantes haviam passado - Av. Paulista, 9 de Julho e 23 de Maio - e encontrou marcas das barricadas de fogo no asfalto, lixeiras fora do lugar e bancas de jornais com vidros quebrados. Os acessos das Estações Brigadeiro, Consolação e Trianon-Masp, da Linha 2-Verde, estavam cobertos com tapumes de madeira e placas de plástico. Vidros dessas estações também foram depredados.

A reposição dos fios da rede elétrica da Rua Carlos Sampaio, próximo à Paulista, ocorreu na tarde de ontem. Quatro das 23 cabines da PM foram destruídas - uma queimada e três quebradas - e as lixeiras do prédio do Tribunal Regional Federal estavam amassadas.

O Metrô contabilizou um prejuízo de R$ 73 mil com as estações depredadas, sendo R$ 68 mil por causa dos vidros quebrados e R$ 5 mil em função das luminárias danificadas.

Na tarde de ontem, comerciantes locais que calculavam os prejuízos reclamaram do quebra-quebra. Pelo menos quatro bancas de jornais tiveram vidros e lanternas quebradas e portas amassadas. "Eu estava dentro da banca quando os manifestantes batiam com força na porta. Arrastaram a máquina de refrigerantes e quebraram as laterais. Nunca havia passado por isso na minha vida", afirmou a atendente Carina Regina Augusto, de 22 anos.

A Associação Paulista Viva, que mantém as cabines da PM na Avenida Paulista, afirmou que o prejuízo foi de mais de R$ 24 mil com as quatro unidades destruídas. "A causa do protesto é legítima, mas repudiamos o vandalismo contra o patrimônio público e privado", afirmou Antônio Carlos Franchini Ribeiro, presidente da associação.

Na manhã de ontem, representantes da Companhia do Metropolitano e comerciantes da Avenida Paulista foram ao 78.ºDP para registrarem boletins de ocorrência das depredações. A Polícia Civil vai apurar os casos .

Resposta. O Movimento Passe Livre diz que não é responsável pelos atos de depredação e, portanto, não pode ser penalizado. "Esses atos, contudo, foram uma resposta à truculência dos policiais. A manifestação era pacífica e só houve tumulto após a ação da tropa de choque", afirmou Nina Cappello, de 23 anos, integrante do MPL.

Questionado sobre a suposta ação truculenta da PM, que usou bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral para dispersar os manifestantes, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse ontem, em evento no Palácio dos Bandeirantes, que haverá apuração. "A polícia sempre apura. Ela tem um sistema de acompanhamento."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.