'Somos contra o sistema e contra a lei'

Com panos e máscaras de gás no rosto, eles defendem vandalismo como estratégia. Em São Paulo, existiriam cerca de 100 integrantes

O Estado de S.Paulo

15 Junho 2013 | 02h05

Panos na cara, máscaras de gás, roupas pretas e estética punk. Nas passeatas e quebra-quebra ao redor do mundo, os Black Blocks são os linhas de frente. Em São Paulo, foram decisivos para colocar as barricadas que ajudaram a bloquear a Marginal do Pinheiros, no dia 7.

Questionado sobre o sentido político do vandalismo nas passeatas, um dos integrantes do grupo evocou uma imagem citada pelo subcomandante Marcos, principal porta-voz do comando militar dos Zapatistas. O mexicano andava com dois relógios, um no braço esquerdo e outro, no direito. O direito funcionava. O segundo, ficava parado. Na explicação do subcomandante, o relógio funcionando o conectava ao "tempo capitalista". O segundo recordava o indígena e que um "novo tempo haveria de ser construído".

"O vandalismo não busca necessariamente objetivos pragmáticos, ligados à cultura capitalista. São ações antissistema, ligadas a novos tempos", diz.

Em São Paulo, são cerca de cem integrantes do grupo. Eles não são coletivos, mas indivíduos com afinidades em torno de ideais anarquistas. Os coletivos, segundo eles, deliberam decisões que são tornadas públicas. "Nós não podemos discutir abertamente nossas ideias alegalistas (sic) com o público", explica.

Ao contrário dos bandidos, ele explica, os integrantes do Black Block não defendem o desrespeito às leis para obter conquistas materiais. "Somos contra o sistema e não reconhecemos essas leis. Somos favoráveis aos princípios do direito natural", afirma.

Treinamento. Na cidade, os novos integrantes dos Black Blocks recebem cursos preparatórios para participar dos protestos. Eles aprendem de legislações penais a técnicas de primeiros socorros e doutrinação política anarquista. "Estamos crescendo depois das manifestações na capital", diz. A página do grupo no Facebook é ilustrada pela foto de dois jovens destruindo as vidraças da Estação Trianon-Masp do Metrô.

Após os primeiros quatro protestos contra o aumento da passagem e do endurecimento da polícia, que enquadrou alguns manifestantes por formação de quadrilha, os membros do Black Block decidiram se recolher. "Reagimos de acordo com as ações tomadas pelo sistema." A popularidade dos anarquistas, porém, nunca esteve tão alta. A página do grupo passou a ser curtida por mais de 12 mil pessoas. / B.P.M.

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