'Somos apartidários, não antipartidários', diz estudante na TV

Militantes comemoravam abrangência do protesto; para professor, aumento no valor das passagens é uma opção política

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2013 | 02h01

Apesar do cerco aos centros do poder político no País realizado pelos manifestantes ontem, o Movimento Passe Livre, que iniciou a série de protestos espalhados por 12 capitais ontem, negou que a mobilização tenha caráter antipolítico. "Somos apartidários, mas não antipartidários", afirmou a estudante de direito Nina Cappello, uma das dirigentes do movimento em entrevista ontem ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Os militantes do movimento comemoravam ontem à noite abertamente a abrangência dos protestos. Trocavam sorrisos e cumprimentos, enfim, protagonizavam cenas de quem saboreava uma vitória. Os dirigentes do Movimento Passe Livre não imaginavam que seu grupo reduzido de militantes - pouco mais de 40 em São Paulo - fosse capaz de liderar manifestações como a de ontem em São Paulo.

Para um deles, o professor de História Lucas Monteiro, de 29 anos, trata-se de uma opção política manter o aumento das tarifas de transporte público. E afirmaram que o prefeito Fernando Haddad (PT) poderia trocar o projeto do bilhete único mensal pela renúncia ao aumento de R$ 0,20 dos coletivos da cidade. Para o movimento, que afirma que não deixará as ruas sem obter a revogação do aumento, dialogar com Haddad e com o governador Geraldo Alckmin (PSDB), que se recusam a voltar atrás no aumento da tarifa não é um diálogo de surdos.

Fundado em 2005 durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, o MPL contava com militantes nos protestos de Salvador, Recife, Rio e Brasília. O movimento, no entanto, foi surpreendido por manifestações em Belém. "Não temos militantes lá", afirmou Monteiro.

O professor acredita que conseguirá manter a capacidade de mobilização da demonstrada até agora nas próximas semanas e não acredita em cansaço dos manifestantes. As mídias sociais facilitaram, segundo ele, a mobilização e a permanência do mo0vimento.

Tanto ele quanto sua colega não acreditam que o movimento possa ser responsabilizado politicamente pelos atos de vandalismo ocorridos durante manifestações. O discurso do MPL continua o mesmo do início das passeatas: toda violência seria apenas consequência da repressão policial.

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