'Só pedia para Deus me proteger', diz vítima de sequestro em Perdizes

Flávia Roberta Donato, de 43 anos, foi rendida por dois assaltantes e feita de refém durante uma perseguição policial a 150 km/h

Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2016 | 19h55

SÃO PAULO - Vítima de sequestro relâmpago na região de Perdizes, zona oeste de São Paulo, a fonoaudióloga Flávia Roberta Moraes Corsi de Donato, de 43 anos, viveu momentos de medo e tensão. Rendida por dois assaltantes, ela foi obrigada a dar voltas de carro com os criminosos e acabou feita de refém durante uma perseguição policial a 150 km/h por mais de 60 quilômetros. "Eu só pedia para Deus me proteger. Naquele momento, eu só tinha Ele."

Flávia foi surpreendida no momento em que abria a porta do seu veículo, uma caminhonete Chevrolet S10, na Rua Tavares Bastos, em Perdizes, por volta das 21 horas. "Eu estava falando com meu marido no celular. Antes de fechar a porta, os bandidos já estavam um de cada lado do carro", contou a vítima ao Estado. Um dos assaltantes, Cleriston Araújo Teixeira, de 22 anos, que portava uma arma de brinquedo, vasculhou a bolsa da vítima, retirou o cartão do banco e roubou dois anéis, uma aliança e uma corrente.

A fonoaudióloga ficou no banco do passageiro e foi forçada a informar a senha do cartão e as letras de segurança. O outro criminoso, Fábio Júnior da Silva, de 31 anos, assumiu a direção do veículo. "Eu lembro que o carro parou em alguns faróis. Em uma dessas paradas (na Avenida Sumaré), eles passaram meu cartão pelo vidro de trás para outras duas pessoas, mas a gente continuou rodando", afirma Flávia. "Eu pedi para descer do carro e eles disseram que não. Só depois que 'terminassem o que precisavam fazer', que eu não sabia o que era".

Com o cartão da vítima, Carolina Souza Almeida, de 19 anos, e Glaubert Santos da Silva, de 25, foram ao Shopping Bourbon, onde se passaram por um casal e compraram quatro pares de tênis, a R$ 1,3 mil cada, e sacaram R$ 1 mil. O marido de Flávia recebeu alerta das transações bancárias e acionou a Polícia Militar, via 190. Os dois tentaram fugir, mas foram presos no shopping. Silva era procurado da Justiça por roubo.

"Eu não vi eles passando o cartão para os outros, então pensei que alguém estava fazendo compra pela internet", conta Flávia. Segundo a vítima, os bandidos ficaram nervosos em dois momentos: quando ela não soube informar o limite de compra no cartão de crédito e quando começou a perseguição policial.

"Eles ficaram bem tensos, gritando que não podiam ser presos. O do banco de trás (Teixeira)  gritava com o da frente (Silva) para correr. O da frente gritava comigo, porque não conseguia acelerar mais", diz a vítima. "Eu tive muito medo, porque ele estava em alta velocidade, com o carro a 150 km/h, 160km/h. Poderia ter batido, capotado." 

Os criminosos acessaram a Rodovia dos Bandeirantes, no sentido interior, chegaram a furar dois bloqueios policiais e ordenaram que Flávia deixasse a porta destravada. "Eles falavam que tinha cada vez mais viatura", diz. "A ideia deles era correr para o meio do mato, mas viram uma entradinha e deram de cara com o portão do parque (Hopi Hari) fechado", conta a fonoaudiólogoa. "O carro ficou de lado para o portão, na mesma hora já vieram muitas viaturas."

Teixeira e Silva não resistiram à prisão, que ocorreu na altura do km 71 da Rodovia do Bandeirantes, em Vinhedo. Flávia foi liberada sem ferimentos. "A ação dos policiais foi excelente, coisa de primeiro mundo", diz. "Os policiais poderiam ter alcançado o carro, mas ficaram preocupados porque poderiam fazer alguma coisa comigo. Eles sabiam que uma hora os dois tinham de parar", afirma.  "A partir de amanhã (quarta-feira) quero retomar minha vida. Quem tem de ficar preso não é o cidadão. Quem tem de ficar preso é o bandido."

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