''Só não me mataram porque Deus me guardou''

DEPOIMENTO[br][br]TAXISTA, DE 49 ANOS, DA ZONA SUL

, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2010 | 00h00

"Trabalho sempre à noite e não tenho um ponto fixo de táxi. Pego os passageiros na rua mesmo. Na Estrada do Campo Limpo, por onde costumo passar, dois homens e uma mulher fizeram sinal para eu parar. Queriam, quando entraram, que eu fosse para um shopping, mas mudaram o caminho, me fizeram virar em uma rua escura e anunciaram o assalto. Era a minha primeira corrida. Estava com pouco dinheiro, talvez R$ 20. Mas tinha um cartão de banco. Rodaram comigo e, depois de pegar a senha, me colocaram dentro do porta-malas (do Fiat Siena). Aí me levaram para fazer saques.

Eles ameaçavam me matar o tempo todo. Só não me mataram porque Deus me guardou, eu acredito nisso. Pensei nos meus filhos. Agora, evito levar casal.

Um passageiro que não dá medo é mulher com criança no colo. Esse foi meu quarto assalto e o primeiro sequestro relâmpago. Após o caso, prestei depoimento na delegacia. Dias depois, soube pelos próprios policiais que esse mesmo casal havia pegado outro taxista, colega meu, que acabou morto. Eu soube que esse casal havia saído em condicional da cadeia, em março. Se tivessem prendido antes, talvez meu colega não tivesse morrido."

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