Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Só 16% dos paulistanos não usam automóvel

Em 2009, 44% não recorriam ao carro, segundo pesquisa feita pelo Ibope em agosto

Bruno Ribeiro e Tatiana Fávaro, O Estado de S. Paulo

21 Setembro 2011 | 22h45

CAMPINAS - Apesar de o trânsito ser considerado o segundo pior problema da capital paulista, atrás apenas da saúde pública, há mais paulistanos optando por encarar os congestionamentos e usar o carro no lugar do transporte público. Pesquisa feita em agosto pelo Ibope e divulgada nesta quarta-feira, 21, pela Rede Nossa São Paulo mostra que, de 2009 para cá, caiu de 44% para 16% o número de moradores que não usam automóvel.

A pesquisa é feita há cinco anos e divulgada às vésperas do Dia Mundial Sem Carro (22 de setembro). No período pesquisado, segundo os dados do Ibope, subiu também a quantidade de pessoas que usam o carro "quase todos os dias": de 15%, em 2007, para 23% em 2011.

Outro número que mostra essa tendência é a quantidade de pessoas que têm carros em casa. Entre os que ganham de dois a cinco salários mínimos, o aumento é de 10% (de 52% em 2010 para 62% neste ano). Já entre quem recebe mais de cinco salários mínimos, o aumento foi menor, de 3%, mas é onde há a maior motorização, com 84% dos entrevistados declarando possuir ao menos um automóvel em casa. Por outro lado, para quem ganha menos de dois salários mínimos, esse porcentual caiu de 27% para 25%.

Mobilização. Tanto a capital quanto o interior paulista preparam ações especiais para hoje. As campanhas tentam chamar a atenção para transportes alternativos e alertar sobre os efeitos negativos dos veículos em todos os municípios, grandes ou pequenos.

Na cidade de São Paulo, o destaque é a criação de "faixas solidárias" em algumas vias da cidade. Nelas, só poderão andar veículos com mais de uma pessoa, para estimular a carona. Outra medida é a ampliação dos horários de pico dos ônibus. Em dias comuns, eles são das 5h às 8h30 e das 16h às 20h. Hoje, serão das 5h às 9h e das 15h30 às 21h.

Interior. Em Campinas, a organização da 3.ª Bicicletada espera que cerca de 500 pessoas participem do evento. A ação tem o objetivo de chamar a atenção do poder público para a possibilidade de adotar o meio de transporte alternativo e para a necessidade de ciclovias.

Os ciclistas vão encontrar-se às 18h30, na Praça Arautos da Paz, na Lagoa do Taquaral, e vão percorrer as principais ruas da cidade durante uma hora e meia. "Estamos organizados, não queremos criar confusão, mas queremos que as pessoas olhem para essa possibilidade", afirmou Vagner dos Santos, fundador e coordenador do grupo Eco’s Bikers e um dos idealizadores dos Projetos Vaga Viva e Bicicletada.

Segundo Santos, 200 pessoas participaram da primeira edição e 400, no ano passado. Na segunda-feira, manifestantes ocuparam, com bicicletas, uma vaga de estacionamento na Avenida Francisco Glicério, no centro, para um convite à Bicicletada. Em 2010, os eventos do Dia Mundial Sem Carro na cidade diminuíram os congestionamentos. Segundo a Empresa Municipal de Desenvolvimento (Emdec), os pontos de lentidão caíram em relação a dias comuns.

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