Só 10 áreas serão trocadas por creche

Kassab mudou os planos de vender 20 imóveis para construção de unidades educacionais; quarteirão do Itaim-Bibi continua no projeto

Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2011 | 00h00

A gestão do prefeito Gilberto Kassab (sem partido) afirma agora que pretende trocar por creches apenas metade dos 20 imóveis e terrenos municipais colocados à venda em processo consumado na semana passada com a aprovação dos projetos de lei do Executivo na Câmara Municipal.

  Veja também:

link Biblioteca e teatro devem sair do quarteirão do Itaim

Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcos Cintra, as áreas públicas com baixo valor de mercado ou com problemas na documentação ficarão de fora do programa municipal que prevê a construção de creche pela iniciativa privada como forma de pagamento dos terrenos à venda.

"Alguns (imóveis ou terrenos) são pequenos, com pouco valor no mercado imobiliário. A ideia é que sejam alienados da forma tradicional, por recursos e dinheiro para o Tesouro, e não entrem na troca por creches", afirma Marcos Cintra.

"Na nossa estimativa, dos 20 imóveis nessa situação, mais ou menos dez estão em condições de serem incluídos. Ou seja, atendem a dois quesitos fundamentais, que é ter bom valor de mercado e estar com a questão documental regularizada. Hoje, estimamos que dez áreas estejam nessas condições, mais ou menos", explica o secretário.

Essa posição marca uma mudança no discurso da gestão Kassab. Até então, mesmo sem que a redação das leis citasse a troca por creches, a Prefeitura sustentava que todos os 20 imóveis teriam essa destinação.

Na discussão feita no Legislativo municipal, o principal argumento utilizado pela gestão Kassab para conseguir aprovar a alienação (transferência de bens) das áreas municipais foi a inclusão desses 20 imóveis no programa para expandir o número de creches públicas na cidade.

No discurso de Kassab, a iniciativa privada tem mais agilidade para erguer uma creche e entregá-la para uso. Assim, a troca ajudaria a reduzir - e futuramente zerar - o déficit de vagas nessas unidades de ensino da capital. "Entre os 20 imóveis há terreno de 187 metros (quadrados). Não adianta fazer a troca por meia creche. Esses serão vendidos mesmo", diz Marcos Cintra.

De acordo com o secretário, há imóveis com problemas de documentação que até podem ser envolvidos em troca por creches, mas não neste primeiro momento. Um desses casos é o terreno de 34 mil m2 que abriga hoje a Subprefeitura de Pinheiros, na zona oeste. "A documentação é muito antiga, precisa tirar matrícula. Provavelmente, ficará mais para frente", diz Marcos Cintra. O quarteirão do Itaim-Bibi, alvo de polêmica, segue dentro do programa de troca por creches.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.