Skinheads são presos por espancar morador de rua negro

Suspeitos usaram pedaço de madeira e tornozeleira com espetos de ferro para ferir vítima, no centro de São Paulo

Tory Oliveira, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2010 | 00h00

Um homem negro de 22 anos foi agredido e xingado de "macaco" e "preto" na noite de anteontem, quando passava pela Rua Formosa, na região do Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo. Dois jovens foram presos pelo crime, que ocorreu às 23h30. Segundo a Polícia Civil, os suspeitos são skinheads. A dupla foi indiciada por lesão corporal e injúria racial.

De acordo com policiais, Washington Luiz Pinto seria morador de rua e sofreu agressões principalmente nas pernas. Os suspeitos usaram um pedaço de madeira e uma tornozeleira decorada com "spikes" (espetos de ferro) para ferir a vítima.

Em depoimento, Washington contou que os agressores disseram que estavam batendo por que ele era negro. A ação foi presenciada por um casal, que chamou guardas civis municipais que patrulhavam a região. Luan Jesus Torres Silva, de 21 anos, e o vigilante Lindolfo Felipe de Lima, de 22, foram detidos após serem reconhecidos pela vítima e pelas testemunhas. Eles negaram as acusações e se apresentaram apenas como roqueiros.

Acessórios. Com Lima, os guardas apreenderam uma luva, uma tornozeleira, joelheiras, caneleira e um pedaço de madeira. Silva disse que mora em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, e Lima na Mooca, zona leste. As tatuagens, adotadas por skinheads, chamaram a atenção da polícia: Silva tem uma imagem de fogo e um curinga e Lima, um lobo, um anjo e um Drácula.

O caso foi registrado no 3.º DP (Santa Ifigênia). Ontem de manhã os dois suspeitos foram transferidos para o 2º DP (Bom Retiro). Apesar dos ferimentos, a vítima foi medicada e passa bem. / COLABOROU MARÍLIA ALMEIDA

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