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Site encaminha reclamações de cidadãos a órgãos públicos

Breno Pires e Diego Cardoso, de O Estado de S. Paulo

18 Abril 2013 | 20h 01

Colab, que já funciona no Recife, começa a operar em São Paulo

No lugar de compartilhar fotos da balada, publique o registro de um buraco na rua em frente ao Mercado Municipal. Dentro da Colab, plataforma digital que começou a operar em São Paulo na terça-feira, 16, as curtidas servem para gerar cidadania. Baseado em três pilares - fiscalizar, propor e avaliar -, o Colab (o nome vem de colaborar) é a mais nova ferramenta para os cidadãos buscarem melhorias, seja nos serviços do cotidiano, seja na política.

 

Criado pela empresa pernambucana Quick, o Colab se propõe a organizar as informações que as pessoas publicam e a apresentá-las à prefeitura. São relatos, fotos e vídeos do que precisa de solução - principalmente, problemas urbanos, como lixo, trânsito, iluminação, segurança. Há ainda uma seção apenas para propostas e outra para avaliações de serviços.

 

Além do acesso normal por computadores, a plataforma tem aplicativo para smartphones com sistema Android ou iPhone. E as postagens podem ser apoiadas e compartilhadas, gerando repercussão, a fim de pressionar as autoridades.

 

 

 

A empresa que criou o Colab diz ter sistemas para que a postagem de um usuário seja encaminhada diretamente aos órgãos competentes. A meta é estabelecer um canal de comunicação fixo junto ao poder público, que então poderá atuar sobre os assuntos que circulam nos meios digitais. Não há, porém, como garantir que as denúncias e propostas vão gerar ações.

 

"A gente ainda não tem como garantir que vai ser levado em conta porque depende do poder público. O que a gente tem feito é encaminhar para o órgão responsável com o número de protocolo. A gente já começou a ter feedback de usuários dizendo que teve problema resolvido", disse. A empresa, no entanto, admite que não terá condições de encaminhar todas as denúncias e propostas recebidas.

 

O sócio-fundador do Colab, Gustavo Maia, ressalta que as pessoas já têm o hábito de fazer denúncias e pedir melhorias no Twitter, no Facebook, em blogs - faltava um canal para sistematizar a cobrança. "As pessoas já falam da cidade naturalmente. Falta o poder público ouvir. Essa é proposta do Colab. Nós levamos as informações organizadamente para as autoridades. Assim, a gestão não poderá dizer que desconhecia o problema", diz Gustavo Maia.

 

Com a proposta de atuação em várias cidades do Brasil, o Colab estreou primeiro no Recife, no dia 27 de março. Nas duas primeiras semanas, foram mais de 350 postagens na categoria fiscalizações, cerca de 170 propostas e 50 avaliações. Reclamações de usuários foram protocoladas e levadas às secretarias responsáveis na Prefeitura do Recife. Algumas delas foram atendidas.

 

 

 

Legitimidade. A legitimidade da ferramenta depende também da independência do poder público e da não-vinculação política. Nesse sentido, o Colab garante que não vai aceitar recursos de prefeituras. A empresa buscará verba em propagandas na própria plataforma (é assim que o Facebook gera sua receita) e começará a fazer em breve rodadas de investimentos. "Ainda não contamos com os ads (anúncios) porque estamos no começo e é necessário ter muitos usuários. Mas existem algumas formas de monetizar através de empresas, com iniciativas que estamos estudando", afirma Gustavo Maia.

 

Ao mesmo tempo, a empresa diz que não tem pretensão política. "A gente vai estar sempre próximo de questões políticas, afinal de contas, a cidade está em questão. Mas não temos filiação nem vamos fazer parte de grupo algum". O que não quer dizer que os políticos não possam se interessar pelo trabalho. O Colab diz que já teve reuniões com políticos tanto de situação como de oposição no Recife. Candidato a prefeito da capital pernambucana nas eleições de 2012, Daniel Coelho é um dos que se cadastraram na rede.

 

A transparência na informação é justamente um ponto em que o Colab quer se distinguir dos serviços de informação oferecidos tradicionalmente por prefeituras, além da colaboração entre as pessoas, que podem apoiar fiscalizações e propostas de outros. Para aumentar a interação, a plataforma dispõe de um ranking de quem mais participa - medido pela quantidade de colabs (colaborações), uma pontuação virtual. Esse recurso, com o objetivo de estimular a atuação, é uma forma de "gamification", estratégia de envolvimento de usuário utilizada em redes sociais e no marketing.

 

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