Síndico impõe rodízio e conta de prédio no Ipiranga cai 58%

Condomínio corta água dos moradores três vezes por dia; consumo de água, que era de 769 mil litros há um ano, caiu pela metade

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

24 Janeiro 2015 | 22h23

SÃO PAULO - A população da capital, que já sofre com os cortes de abastecimento desde o primeiro semestre do ano passado, começa a se preparar para o pior, diante do risco de desabastecimento nos reservatório da Grande São Paulo. Alguns tomam medidas drásticas para diminuir o consumo e conservar a água nas caixas.

No Ipiranga, na zona sul, um condomínio impõe aos 180 moradores três cortes de abastecimento ao longo do dia, desde junho do ano passado. “Muita gente reclama que não consegue tomar banho à noite, mas a economia tem sido grande e é uma forma de ter água sempre”, disse o subsíndico Heriberto Xavier, de 63 anos. 

A redução de consumo foi drástica. Em fevereiro do ano passado, no início da crise, os moradores consumiram 769 mil litros de água. Neste mês, foram usados 355 mil litros: uma redução de 53,8%. A conta de água passou de R$ 3.058,64 no início de 2014 para R$ 1.281,94 neste mês – queda de 58% no valor. 

A redução foi tanta que causou desconfiança na Companhia do Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A empresa fez uma perícia no relógio de água do prédio. 

A ideia dos cortes foi do síndico Eudes Bastos Rocha, de 54 anos. “Eu faço a minha parte aqui. Agora, o prédio vizinho, ninguém garante.” Tanto ele quanto o subsíndico dizem acreditar que a água vai acabar e, se isso acontecer, vão voltar para suas cidades natais.

Xavier é de Pernambuco. “Lá tem muita água no subsolo. Dou um jeito de captar.” Rocha, de Manaus, afirmou que água não falta em seu Estado. “Lá a preocupação é como não morrer na enchente.”

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