Símbolo nacional, Museu Imperial chega aos 70 anos

Símbolo nacional, Museu Imperial chega aos 70 anos

Espaço guarda relíquias como coroa de imperador e pena usada pela princesa Isabel, comprada da família real por R$ 500 mil

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

04 Abril 2010 | 00h00

D. Pedro II sabia das coisas. Não à toa a residência de Petrópolis, na hoje Rua da Imperatriz, em homenagem à sua mulher, era a preferida entre os imóveis de propriedade da família imperial. Marco inicial da cidade serrana e seu maior orgulho, o palácio, construído sob sua ordem, serviu-lhe de residência de veraneio por quatro décadas.

Pelos jardins onde ele gostava de passear e pelos cômodos que habitou com mulher, filhas e netos, hoje circulam anualmente 340 mil pessoas. Aos 70 anos, celebrados em 29 de março, o Museu Imperial está entre os mais visitados do Brasil.

E não é só pelas peças incomparáveis de seu acervo, símbolo do período monárquico, como a pena que a princesa Isabel usou para assinar a Lei Áurea - a Mona Lisa do museu -, as coroas recebidas por d. Pedro I, em 1822, e seu filho, em 1841, o cetro imperial e toda a mobília em jacarandá original da época. Desde o início da década, o museu promove atividades que atraem mais e mais frequentadores.

Os números atestam: em 2007, o volume de visitantes era inferior a 300 mil, em 2008, passou para 311 mil, até chegar a 340 mil em 2009.

Espetáculos. Os eventos mais populares são o espetáculos Som e Luz, nas noites de quinta-feira à sábado, e o Sarau Imperial, nos fins de tarde de sextas-feiras e sábados. Nos dois casos, reproduzem-se cenas vividas ali no século 19.

No espetáculo Som e Luz, realizado na parte de fora e já visto por 200 mil pessoas, um filme narrado pelo ator Paulo Autran é projetado em uma cortina d"água de 16 metros de altura por 8 metros de comprimento, relembrando datas marcantes do período pré-republicano: a Guerra do Paraguai, a Abolição, a Proclamação da República.

No Sarau Imperial, atrizes vestidas com trajes de época interagem com o público, ao som de uma cantora de modinhas e uma pianista, como se estivessem em 1876 e fossem a princesa Isabel, a condessa de Barral (preceptora das princesas) e uma baronesa amiga delas. Os assuntos vão de política à moda. "As pessoas ficam fascinadas com essa viagem no tempo, com a possibilidade de conhecer o cotidiano da família imperial e dos nobres do segundo reinado", analisa o diretor, Maurício Vicente Ferreira Junior, um apaixonado por história e pelo século 19.

Hábitos imperiais. Além da curiosidade de saber como dormiam, vestiam-se, comiam e festejavam o imperador, a imperatriz e seu séquito, há também o interesse em ver de perto objetos que contam uma parte importantíssima de nossa trajetória como nação.

Daí o interesse maior pela pena da Lei Áurea, comprada da família Orleans e Bragança há quatro anos, por R$ 500 mil.

"Eu já estudei a Abolição e agora estou aqui vendo a pena de pertinho", disse a menina Lorraine Soares, de 11 anos, levada pela mãe na véspera do feriado. "Tudo o que vemos aqui é único", comentou o funcionário público Eder Medeiros, de 29 anos, que mora em Natal, já conhecia o museu e aproveitou a vinda ao Rio para apresentá-lo à mulher.

Preciosidades. Adultos e crianças se ressentem do fato de não poderem sentar no trono usado por d. Pedro II nem tocar sua coroa, que pesa 1,9 quilo de puro ouro, 639 brilhantes e 77 pérolas.

Contentam-se em poder admirar o dourado reluzente da pena. E de descobrir, no segundo andar do museu, o violino que d. Pedro II tocava, a luneta do imperador, o telefone primitivo que ele mandou trazer da Europa, os berços que foram usados por seus netos, a máquina de costura e o kit com dedal, agulheiro e tesourinha da imperatriz, seu toucador, em cujo centro vê-se a "cadeira com urinol"...

Pesquisa. Funcionários do museu estão digitalizando documentos, fotografias e objetos para que pesquisadores e estudantes de todo o mundo possam consultar suas preciosidades. Entre elas, a carta de abdicação de d. Pedro I, de 1831, e o bilhete de despedida de d. Pedro II antes de partir para o exílio, em 1889.

Estima-se em dez anos o tempo necessário para digitalizar e disponibilizar todo o acervo, formado por 7 mil objetos, 250 mil documentos e 55 mil livros.

O museu funciona de terça-feira a domingo, das 11 às 18 horas. Adultos pagam R$ 8. Estudantes, professores e maiores de 60 anos, R$ 4. Menores de 7 anos e maiores de 80 entram de graça.

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