Reprodução
Reprodução

'Serial killer' de Itaquaquecetuba é suspeito de matar 8 homens em 2 meses

Feirante agia de bike e já foi reconhecido como autor de 4 mortes; escolha do alvo era aleatória

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2011 | 23h39

SÃO PAULO - Um feirante de 22 anos foi preso na segunda-feira sob suspeita de ter matado oito pessoas em um período de dois meses na cidade de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Segundo a polícia, Ronis de Oliveira Bastos já foi reconhecido como o autor de quatro mortes, além de duas tentativas de homicídio. Os crimes aconteceram no Jardim Luciana, bairro que faz divisa com Poá. Em pelo menos metade das ocorrências, o suspeito teria agido em cima de uma bicicleta azul.

O histórico mostra que a escolha dos alvos era aleatória, com apenas uma exceção: todas as vítimas são homens, em idade adulta, entre 20 e 50 anos. Na lista, há um pedreiro, um fiscal de loja, um atendente de telemarketing e até um morador de rua. O primeiro caso ocorreu em 5 de outubro - outros nove foram registrados desde então na região.

A maioria dos mortos foi alvejada com mais de um disparo de arma de fogo. No início da série de assassinatos, ele usou um revólver calibre 28. Uma das vítimas escapou da morte e levou a arma do bandido. "Achamos estranho, porque é incomum alguém usar uma arma com esse calibre", afirmou o delegado Eduardo Queiroz, responsável pelo caso.

Depois de ter agido pela terceira vez, o matador passou a atirar com calibre 38. Segundo a polícia, apenas um dos homens foi morto a facadas, a segunda vítima do feirante.

Prisão. Bastos foi preso em flagrante, por porte ilegal de arma. O feirante, que andava com a mesma bicicleta pela Rua Assis Chateaubriand quando foi abordado por policiais militares, carregava justamente o revólver calibre 38. A arma era usada, segundo o suspeito, para defesa pessoal. Ele contou à polícia que estava sendo ameaçado e, por isso, precisava estar pronto para se defender.

De acordo com as investigações, no entanto, Bastos é que ameaçava os moradores do bairro. Testemunhas já haviam relatado à polícia que o suposto "serial killer" era um homem branco, jovem, baixo e com uma particularidade: só andava de bicicleta pelas ruas do Jardim Luciana.

Anteontem, com o perfil do suspeito traçado, policiais civis, com o apoio da Guarda Civil e da Polícia Militar, iniciaram o trabalho de buscas pelo bairro. No último fim de semana, dois homens foram assassinados a tiros e outro sobreviveu a uma tentativa de homicídio - foi o depoimento dele que possibilitou aos policiais chegar à descrição perfeita do feirante.

Após a prisão, o feirante forneceu à polícia um endereço falso. Segundo investigações do Setor de Homicídios da Polícia Civil, a casa apontada por ele está vazia desde que a mãe do suspeito mudou-se para o Sul do País por ter sido ameaçada de morte pelo filho. A polícia afirma que a mulher sabia dos crimes cometidos desde outubro e planejava denunciar Bastos mas, com medo de morrer, decidiu abandoná-lo em Itaquaquecetuba.

Ninja. Na casa verdadeira do feirante, os policiais encontraram seis cápsulas deflagradas de munição calibre 38, idênticas às usadas nos oito homicídios. Também foi apreendida um touca ninja e um mochila onde a arma era escondida.

De acordo com o delegado, o suspeito não demonstra qualquer emoção quando acusado de ser um assassino em série. "Ele é muito frio, não tem fisionomia, nem expressão nenhuma nem nada. Não chora. Ele foi bastante cansativo durante todo o interrogatório, não é uma pessoa normal. Quando perguntei se havia matado as oito pessoas, foi simples na resposta. Apenas disse que não, sem se alongar."

Após a prisão, moradores do bairro tentaram linchar Bastos e precisaram ser contidos por policiais. A polícia solicitou exame residuográfico para a arma, que poderá confirmar se o feirante é o responsável pelas mortes que ocorreram no Jardim Luciana. Ele foi encaminhado à Cadeia Pública local. O caso foi registrado na Delegacia Seccional de Mogi das Cruzes. / COLABOROU WILLIAM CARDOSO

QUATRO PERGUNTAS PARA GUIDO PALOMBA, PSIQUIATRA FORENSE

1.Por que ele escolhia homens como vítimas?

Os matadores em série costumam escolher determinado tipo de pessoa. Isso entra no universo pessoal dele. Somente conhecendo isso é que é possível definir por que escolhia homens.

2.Qual o significado de deixar as cápsulas deflagradas ao lado dos corpos das vítimas?

Pode ser um símbolo. Tem um certo ritual nesse tipo de atitude, mas para saber o que representa exatamente só com um exame pessoal.

3.O suspeito ameaçou a própria mãe. É comum esse tipo de atitude?

Todos aqueles que ameaçam a segurança e a liberdade dele, sejam parentes ou não, ele deseja tirar da frente. São egoístas.

4. Por que os psicopatas matam?

Para ver cair. É algo comum, acontece com alguns desses indivíduos. Não levam uma vantagem imediata significativa. É um prazer mórbido, uma vingança na cabeça deles.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.