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Sem-teto se concentram no Largo da Batata para marcha com sem-terra

Grupo de aproximadamente 150 manifestantes aguarda 300 trabalhadores rurais e deve realizar passeata até a Avenida Paulista

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Laura Maia de Castro,
O Estado de S. Paulo

03 Julho 2014 | 10h17

Atualizado às 11h35

SÃO PAULO - Cerca de 150 manifestantes, a maioria do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) estão concentrados no Largo da Batata, na zona oeste da cidade na manhã desta quinta-feira, 3, para seguir em marcha com 300 sem-terra da Frente Nacional de Luta (FNL) que participam da Marcha Nacional em Defesa da Reforma Agrária desde o dia 8 de junho.

O ato, que conta também com o apoio dos metroviários e dos alunos e professores em greve da Universidade de São Paulo (USP), seguirá em marcha até o escritório da Presidência da República, no número 2.163 da Avenida Paulista, na zona oeste, para entregar uma carta com reivindicações unificadas sobre reforma agrária, readmissão dos metroviários demitidos durante a greve, libertação do funcionário da USP Fábio Hideki, entre outras.

O policiamento está reforçado na região e alguns comerciantes fecharam as portas. O proprietário de uma loja de pesca esportiva que optou por fechar o estabelecimento disse que teme a ação de black blocs. "Estou baixando as portas por garantia contra eles. Para mim, todo esse pessoal deveria arranjar um emprego", disse Edson Oliveira.

Cerca de 40 policiais fazem um cordão na frente dos bares e comércios. Outros se mantêm no entorno da praça.  O clima é tranquilo e um carro de som toca músicas brasileiras. Entre os manifestantes, há sem-teto fantasiados, crianças e idosos. Faixas com temas estão no chão do Largo da Batata, entre elas a readmissão dos metroviários e as ocupações do MTST. 

Além dos trabalhadores sem-teto, há metroviários que vieram para lutar pela readmissão dos funcionários durante a greve. "Daqui a 5 dias, faz um mês que o governador fez essa covardia de demitir os trabalhadores. Um ato como esse só fortalece a nossa luta porque há solidariedade de outros grupos, como os sem-teto e os sem-terra", disse o secretario geral do Sindicato dos Metroviários, Alex Fernandes. 

Aplaudidos, os cerca de 300 sem-terra da FNL que participam da marcha chegaram por volta das 10h30 ao Largo da Batata. Eles caminharam mais de 500 quilômetros desde o dia 8 de junho, quando saíram de Assis, no interior de São Paulo.

"Nosso objetivo hoje é protocolar no escritório da Presidência na Avenida Paulista um pedido de audiência com a Dilma. Precisamos discutir o enfrentamento do latifúndio improdutivo", disse José Rainha, dirigente da Frente Nacional de Luta. "A presidente tem de fazer a reforma agrária. Avançamos muito pouco nos assentamentos nesse governo." 

Rainha informou ao major Mário Alves, que comanda o policiamento da área, que o ato irá até a Avenida Paulista. A manifestação deve seguir pelas Avenidas Brigadeiro Faria Lima e Rebouças.

Ao todo, segundo o major Alves, 168 policiais da área e 100 da Tropa de Choque fazem o policiamento da região.