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Sem-teto ocupam hotel na região central de São Paulo

Laura Maia de Castro - O Estado de S. Paulo

02 Junho 2014 | 07h 44

Grupo invadiu o prédio onde funcionava o Othon Palace, na Rua Líbero Badaró, próximo à sede da Prefeitura

Atualizado às 13h30

SÃO PAULO - Cerca de 400 pessoas ocupam pelo menos 15 andares do antigo Othon Palace Hotel, desativado desde 2008, na Rua Libero Badaró, centro de São Paulo. A invasão, que aconteceu por volta das 23h deste domingo, 1º, foi organizada pelo movimento Luta por Moradia Digna (LMD). Os sem-teto entraram por um buraco feito no muro de concreto que protegia a entrada do imóvel. 

Para um dos coordenadores do movimento Julio César Dias, a proximidade do hotel com a prefeitura pode ajudar na luta por moradia. "Esse prédio é do povo. Viemos cobrar as 55 mil casas prometidas pelo prefeito. Isso aqui não é para ser secretaria, é para o povo", disse Dias. 

No chão, ainda era possível ver pedaços do muro quebrado e, na entrada, os sem-teto colocaram faixas como "Moradia e educação padrão Fifa".

Às 11h, famílias ainda se reuniam na frente do antigo hotel à espera de um espaço. 

Com o marido desempregado há um mês, a família da secretária Maiara Avelino ficou sem dinheiro para pagar o aluguel em Santo Amaro, na zona sul, e teve de ficar em um albergue da Prefeitura. "Nós viemos atrás de um lugar para morar com nossas filhas", disse Maiara, enquanto Sofia, sua filha de dois anos, comia um macarrão instantâneo sentada na calçada,  sem entender o que acontecia por ali. 

Segundo Maiara, a família se cadastrou neste domingo como integrante do LMD. Os coordenadores do movimento disseram à reportagem que só ocupa os quartos do hotel quem tiver cadastro, mesmo que recente, no LMD.

Segundo Dias, há expectativa de que ainda nesta segunda-feira, 2, coordenadores do movimento sejam recebidos por representantes da Secretaria Municipal de Habitação. 

'Saída amigável'. Procurada pelo Estado, a Prefeitura não se manifestou sobre a ocupação deste domingo, mas afirmou que negociou em agosto do ano passado a saída amigável de 871 famílias que ocupavam o imóvel desde outubro de 2012. O prédio estava em processo de desapropriação pelo poder público, com reintegração de posse marcada pela Justiça a pedido do proprietário do prédio na época.

Ainda conforme a Prefeitura, as famílias foram cadastradas e receberam apoio habitacional em cota única de R$ 900, antes de serem incluídas nos programas habitacionais para aluguel social e unidade definitiva, respeitando a ordem de cadastro já existente.

"A Prefeitura pagou aproximadamente R$ 30 milhões no processo de desapropriação amigável do Edifício Othon. O local será sede da Secretaria Municipal de Finanças e Desenvolvimento Econômico, o que vai gerar uma economia em aluguéis e condomínio da ordem de R$ 7,5 milhões por ano", explicou a Prefeitura, em nota. 

Serviço funerário. Na zona norte da cidade, um grupo de cerca de 80 sem-teto invadiu um prédio do Serviço Funerário na Avenida Ernesto Augusto Lopes, número 100. De acordo com a presidente do Movimento Independente de Moradia de Vila Maria, Adenilda Soares, a ocupação começou neste domingo, 1º, por volta das 22h30. 

"Ocupamos um terreno há 10 anos, e a reintegração de posse está marcada para amanhã. Mas até agora o município não nos apresentou uma alternativa, por isso, estamos aqui", disse Adenilda.

Segundo ela, 2.600 famílias ocupam um terreno particular de 58 mil metros quadrados na Rua Manguari, número 250, e não tem para onde ir, caso haja reintegração.

Sem-teto no Othon Palace Hotel
Felipe Rau/Estadão

Um grupo de sem-teto do Movimento de Luta por Moradia Digna (MLMD) invadiu o prédio onde funcionava o Othon Palace Hotel em São Paulo