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Sem-teto invadem sede de construtora dona de terreno ocupado na zona leste

Laura Maia de Castro - O Estado de S. Paulo

20 Maio 2014 | 12h 45

Não houve depredação do prédio, mas algumas empresas que também funcionam no local liberaram funcionários e encerraram o expediente mais cedo

Atualizado às 21h19

SÃO PAULO - Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) invadiram a recepção do edifício comercial onde fica a sede construtora Viver, na Vila Olímpia, zona sul da cidade, na tarde desta terça-feira, 20. A empresa é a proprietária do terreno em Itaquera, na zona leste, onde cerca de 4 mil famílias estão acampadas desde o dia 4 de abril na chamada ocupação "Copa do Povo". Não houve depredação do prédio, mas algumas empresas que também funcionam no local liberaram funcionários e encerraram o expediente mais cedo.

Após os sem-teto passarem cerca de uma hora na portaria do edifício, coordenadores do movimento foram recebidos por representantes da Viver. Segundo o MTST, o presidente da empresa não estava na cidade e, por isso, uma nova reunião foi marcada para a tarde desta quarta-feira, 21. A Viver disse, em nota, que já "tomou as medidas cabíveis em relação à invasão de terreno de sua propriedade em Itaquera e só se pronunciará no próximo dia 23, em audiência definida pela Justiça".

Para Guilherme Boulous, um dos líderes do movimento, o ato desta terça-feira teve resultado positivo. "Havia uma porta fechada de interlocução porque a empresa tinha apostado em uma solução violenta de reintegração de posse. A partir de hoje as portas novamente se abriram", disse Boulous.

Em marcha, cerca de 1.500 pessoas caminharam aproximadamente 20 minutos da Estação Vila Olímpia, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) até o edifício comercial que fica na Rua Olimpíadas ao lado do hotel Caesar Park. Entre os edifícios comerciais espelhados típicos da região, o grupo gritava músicas a favor da moradia e chamava atenção de curiosos.

Muitos comerciantes apreensivos fechavam as portas dos estabelecimentos e carros davam ré de volta para as garagens dos prédios quando percebiam a movimentação. O Shopping JK Iguatemi chegou a fechar alguns acessos do centro comercial, quando a manifestação passou em frente. Ao perceber a apreensão dos comerciantes, os sem-teto cantaram:"Não precisa fechar não, porque aqui não tem ladrão".

Houve corre-corre para entrar na recepção que foi rapidamente ocupada pelo manifestantes. Diferente das ações em outras três construtoras, que aconteceram há cerca de duas semanas, não houve pichações nem cartazes grudados nos vidros.

Muitos funcionários das empresas que ficam no edifício não conseguiram entrar no prédio. "Voltamos do almoço e não conseguimos mais entrar porque os seguranças não deixaram", disse o analista de serviços, Leonardo Teixeira de 29 anos. O expediente da empresa dele foi encerrado por causa do tumulto. "Acho que manifestação é um direito, mas não pode atrapalhar o fluxo das pessoas que vão trabalhar", acrescentou.

Reunião. Depois do protesto, coordenadores do MTST tiveram uma reunião na Assembleia Legislativa de São Paulo com representantes das três esferas de poder (Municipal, Estadual e Federal). De acordo com o MTST, a reunião discutiu a possibilidade de desapropriação do terreno para a construção de moradias."Os três entes assumiram um compromisso de fazer todos os esforços para viabilizar os recursos necessários para que se tenha moradia naquele terreno", disse Boulous.

A Secretaria Geral da Presidência da República e a Secretaria Estadual de Habitação confirmaram o encontro, mas não se pronunciaram sobre o conteúdo da reunião./ COLABOROU FABIANA CAMBRICOLI