NILTON FUKUDA/ESTADÃO
NILTON FUKUDA/ESTADÃO

Sem-teto fazem ato por moradia em frente à Prefeitura de SP

Grupo se reuniu com comissão da Prefeitura, que prometeu comissão para mediar conflitos; MTST estimou em 10 mil o número de manifestantes

Marco Antonio Carvalho, O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2017 | 18h01
Atualizado 31 Janeiro 2017 | 20h47

SÃO PAULO - O Movimento dos Trabalhadores  Sem-Teto (MTST) fez um protesto pelas ruas do centro de São Paulo na tarde desta terça-feira, 31. Em um ato em reivindicação por melhorias na política de habitação, a manifestação seguiu da Avenida Paulista e até a sede da Prefeitura, nas imediações do Viaduto do Chá. Os organizadores estimaram em 10 mil o número de pessoas participantes do protesto; a Polícia Militar, até o fim da tarde, não havia divulgado estimativa oficial.

O ato seguiu de forma pacífica, com um carro de som, bandeiras e gritos de ordem por parte dos manifestantes. O grupo pedia uma reunião com o prefeito João Doria (PSDB) e representante da Secretaria de Habitação. À tarde, a reunião ocorreu com a participação dos secretários de governo, Julio Semeghini, de Habitação, Fernando Chucre, e de Relações Governamentais, Milton Flavio. 

O prefeito João Doria participou de parte do encontro e, em nota, a administração disse que na reunião foram discutidas “propostas para buscar soluções para problemas habitacionais da cidade”. Em ata, a administração previu a constituição de uma comissão provisória para buscar alternativas em relação aos casos iminentes de despejo. Além disso, disse se comprometer “a buscar o máximo de agilidade nas aprovações em relação ao licenciamento de projetos de habitação de interesse social”.

Em vídeo divulgado na página oficial do movimento no Facebook, o líder Guilherme Boulos explicou, no início da tarde, a pauta do ato. "Estamos aqui para pedir a continuidade de aprovação dos projetos de moradia, com agilidade", disse. "Também estamos protestando contra a política de despejos violentos. Não é admissível que vire rotina o que vem acontecendo e o que aconteceu na zona leste recentemente", completou. 

Há duas semanas, Boulos foi detido durante uma reintegração de posse de um terreno em São Mateus, na zona leste. A PM cumpria a ordem judicial para despejo de 700 pessoas da Ocupação Colonial em um terreno do bairro. Ele e outro integrante do movimento foram levados à delegacia por desobediência,  assinaram um termo circunstanciado e foram liberados no fim do dia. 

No início da noite, o líder do movimento descreveu os resultados da reunião à multidão. “O resultado, na nossa avaliação, foi positivo, fruto da mobilização. Conseguimos a garantia de que os compromissos, seja de repasse de terreno ou de recurso para a construção de moradias vão ser assegurados, vão ser mantidos”, disse à reportagem. “A Prefeitura vai organizar, ainda, uma comissão de mediação de conflitos para intervir, buscar uma solução negociada junto aos movimentos no caso de reintegrações de posse que estão ocorrendo”, acrescentou. 

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