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Sem recuo do MPL, PM vai repetir estratégia no próximo ato

Movimento Passe Livre decidiu que não vai informar antecipadamente o trajeto das manifestações

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Felipe Resk,
O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2016 | 16h29

SÃO PAULO - Após manifestantes serem dispersados com bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo antes mesmo da saída da última passeata contra o reajuste da tarifa do transporte público, o Movimento Passe Livre (MPL) decidiu que não vai informar antecipadamente o trajeto das manifestações organizadas pelo grupo. A medida confronta o secretário da Segurança Pública (SSP), Alexandre de Moraes, que determinou que a Polícia Militar defina o percurso do protesto, caso ele não seja comunicado com antecedência pelo movimento.

 

O impasse entre a SSP e o MPL, que historicamente decide o percurso no decorrer da passeata, deve acirrar os ânimos entre a manifestantes e policiais nos próximos protestos. "A gente não vai fazer ato nenhum com o trajeto ditado pela polícia. A gente tem direito de fazer manifestação e a PM tem o dever de garantir", afirmou Luíze Tavares, porta-voz do movimento. "Eles podem mandar os caveirões (blindados), colocar a Rota na rua, que a gente não vai sair. Não tem repressão que vá acabar com essa jornada."

 

O secretário Alexandre de Moraes afirmou que a Polícia Militar vai garantir o direito de manifestação, mas sem que isso provoque prejuízos para quem não faz parte do ato. "Deve haver o aviso prévio para que as autoridades, não só as policiais, possam organizar a cidade", disse. "A partir do momento em que não se comunica qual vai ser o trajeto, nós vamos estabelecer o traçado para evitar confusão com milhões de pessoas que não participam da manifestação."

 

A negativa do MPL de seguir o percurso determinado pela PM no protesto da Avenida Paulista, na região central, foi o motivo apontado por Moraes para que a PM atuasse antes mesmo de a passeata começar. "Em todos os atos, há uma pessoa destacada pelo movimento para negociar o trajeto, mas não é uma prática informar o trajeto antes da concentração", disse Luíze. "O que aconteceu é que a PM fechou todas as ruas e só deixou a Consolação livre. Não teve diálogo, eles estavam irredutíveis."

 

Na visão de Moraes, a alternativa oferecida pela PM não impedia o direito de o MPL protestar. "Em vez de quererem se manifestar, eles preferiram tentar romper o bloqueio e ir para a Avenida Rebouças, que não estava preparada para manifestações. Em virtude disso, houve necessidade de dispersão", afirmou. Segundo afirma, o secretário estadual entrou em contato com prefeito Fernando Haddad (PT) pedindo que fosse feita uma limpeza extra na Consolação, para que não ficasse lixo na rua que pudesse ser queimado durante o ato.

 

A porta-voz do MPL classificou a atuação policial durante o protesto como "forte, desnecessária e gratuita". Policiais usaram bombas de gás e de efeito moral e circularam com o novo blindado israelense, equipado para dispersar tumultos, pelos arredores da manifestação. Viaturas da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), a tropa de elite treinada para ocorrências mais perigosas, também foram para a concentração, na Praça do Ciclista.

 

"Com certeza eles tentaram intimidar, a polícia trabalha com a questão do medo. O primeiro diálogo que o governo estadual e a Prefeitura querem propor é colocando dez policiais para cada manifestante na rua", disse Luíze. "Mas a gente acredita que isso não vai enfraquecer as próximas manifestações." Questionado, Alexandre de Moraes considerou o aparato policial "absolutamente necessário".

 

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