Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Segundo ato contra a tarifa em SP tem presos, tumulto e bombas

Ônibus deixaram de circular pela região da Rua Xavier de Toledo, próximo da Prefeitura; comércio fechou e metrô acabou lotado

O Estado de S. Paulo

16 Janeiro 2015 | 21h41

Atualizada às 23h56

SÃO PAULO - O segundo ato contra a tarifa de R$ 3,50 em São Paulo também acabou em confronto entre a Polícia Militar e adeptos da tática Black Bloc. Após um primeiro conflito na Rua da Consolação, que resultou em um detido, uma confusão maior aconteceu na frente da Prefeitura. Uma garrafa de vidro e duas pedras foram atiradas contra PMs, que revidaram com balas de borracha e bombas de gás e de efeito moral. Três agências bancárias foram depredadas e mais dez pessoas foram presas.

O clima de tensão já era notado antes mesmo da concentração na Avenida Paulista. Para evitar o “catracaço” - a entrada sem pagar -, grupos de policiais se postaram desde as 15 horas nas principais estações de metrô das regiões leste e central. O efetivo da Polícia Militar para acompanhar o ato também foi reforçado. Às 17 horas, os cerca de 500 manifestantes na Praça do Ciclista já eram acompanhados por cerca de mil soldados.

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A chuva atrapalhou a formação, que só começou a marchar às 18h30. Havia gente com bandeiras de partidos políticos, como o PSTU. Nos cartazes, além de protestos contra o aumento da passagem, havia críticas à prisão de militantes e ao terrorismo na França.

Nesse momento, estavam reunidos 3 mil manifestantes. A polícia revistava pessoas com máscaras e apreendia objetos - “para evitar vandalismo” -, o que motivou críticas de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Já proibido e apreendido em outras manifestações, o vinagre - usado para amenizar o efeito do gás lacrimogêneo - estava “liberado”, segundo a polícia.

Líderes do MPL ainda voltaram a criticar a “criminalização” dos ativistas (veja ao lado). “Estamos agindo preventivamente, dentro da lei”, rebateu o tenente-coronel Marcos Vinicius Cesário. 

Uma hora depois, na Rua da Consolação, houve o primeiro confronto. PMs cercaram e detiveram um black bloc. Houve reação dos manifestantes. Os agentes lançaram bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral e cerca de 400 pessoas fugiram pela Rua Bela Cintra.

Como consequência, os black blocs se aglomeraram na frente da passeata e integrantes do MPL tentaram conversar com o grupo, argumentando que a briga era pela redução da tarifa. A tensão continuou. Rafael Lessa, da Defensoria Pública, ressaltou que a Polícia Militar “não está preparada para conter violência em protesto”.

Ao contrário do que aconteceu na semana passada, quando o primeiro confronto resultou em uma série de depredações e na dispersão dos ativistas - com um saldo de 53 presos -, a maior parte dos participantes seguiu marchando até a Prefeitura.

Anhangabaú. Às 20 horas, para conter atos de vandalismo - em 2013, chegou a ocorrer uma tentativa de invasão do prédio em um ato do MPL -, unidades da Tropa de Choque já se posicionavam na frente da Prefeitura. O local foi esvaziado e teve os portões fechados. Ônibus deixaram de circular pela Rua Xavier de Toledo, criando fila nos pontos. O comércio fechou e o metrô ficou lotado.

Ao chegar ao local, às 20h30, integrantes do MPL projetaram na frente da Prefeitura a imagem de Fernando Haddad (PT), com os dizeres “Je suis Catraca”. Na sequência, mascarados jogaram uma garrafa de vidro e duas pedras contra o cerco policial. A reação foi imediata, com balas de borracha e gás.

Na confusão, houve fuga em três direções: Rua Líbero Badaró, Xavier de Toledo e Largo de São Francisco. Mas um grupo de black blocs continuou a enfrentar a polícia com rojões, além de depredar bancas de jornal e bancos. No total, 11 foram detidos e o ato acabou por volta das 21h10. / BRUNO RIBEIRO, DIEGO ZANCHETTA, EDGAR MACIEL, ELIZABETH LOPES e MÔNICA REOLOM

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