Reprodução/Facebook
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Igreja defende alimento granulado da Prefeitura; entidade critica

Secretária de Direitos Humanos comparou o produto a Whey Protein; d. Odilo diz que medida é ‘possibilidade alimentar’

Fabio Leite, Juliana Diógenes e Paulo Felix, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2017 | 18h20
Atualizado 16 Outubro 2017 | 22h17

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo e a Igreja Católica defenderam nesta segunda-feira, 16, a distribuição de alimento granulado para a população carente da capital como uma espécie de suplemento para ajudar no combate à fome e ao desperdício de comida. Apresentada pelo prefeito João Doria (PSDB) no lançamento do programa Alimento para Todos, na semana passada, a proposta foi criticada pelo Conselho Regional de Nutricionistas (CRN).

+++ Programa de Doria doa alimento reprocessado a pessoas carentes

Secretária municipal de Direitos Humanos, Eloisa Arruda comparou o produto, feito pela empresa Plataforma Sinergia e chamado de “farinata”, ao suplemento Whey Protein, feito com proteína do soro de leite e muito usado por frequentadores de academias de ginástica. 

“O rico tem direito a suplemento alimentar. O menino que faz ginástica compra Whey, os idosos compram o leite sênior e pagam caro. O nosso objetivo é eventualmente aproveitar alimentos para transformá-los em suplementos alimentares para juntar com alimento in natura e fornecer à população”, afirmou Eloisa. 

No lançamento, Doria exibiu uma versão granulada da farinata em forma de biscoito. Nas redes sociais, o produto foi chamado de “ração”. 

Em nota, o conselho de nutricionistas se posicionou contra o suplemento dizendo que o produto “contraria os princípios do Direito Humano à Alimentação Adequada” e está “em total desrespeito aos avanços obtidos nas últimas décadas no campo da segurança alimentar”.

 

Reação

Defensor do uso da farinata, o arcebispo de São Paulo, cardeal d. Odilo Scherer, disse que “a farinata não é a pílula da fome”, mas uma “possibilidade alimentar” que pode ajudar no combate à desnutrição, ao desperdício de comida e a reduzir os danos ambientais causados pelo descarte de alimentos. 

“Seria uma pena uma coisa que nasce para ser boa acabar abortada por causa de manipulação política ou desinformação, prejudicando os mais pobres”, disse d. Odilo, que chegou a enviar uma carta ao papa Francisco, em 2013, pedindo bênção do pontífice ao projeto.

Fundadora da Plataforma Sinergia, Rosana Perrotti explicou que a farinata usa uma tecnologia avançada que prolonga a vida útil dos alimentos transformando-os em pó. “A prioridade é o combate à fome e à desnutrição em situações de catástrofe. Aqui em São Paulo é possível que o próprio programa aumente as doações de alimentos in natura e nós nem precisemos transformá-los”, disse.

Autor do projeto de lei para erradicação da fome, o vereador Gilberto Natalini (PV) disse que o “produto tem segurança alimentar e não vai intoxicar ninguém”.

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