Corpo de Bombeiros
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'Se tentasse fazer algo, morríamos as duas', diz vítima de desabamento

Filha encontrou mãe morta nos escombros de casa destruída pela chuva no Limão, zona norte de São Paulo

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

20 Março 2018 | 22h50

SÃO PAULO - Desesperada para se salvar da enxurrada que invadiu sua casa, no Limão, zona norte da capital paulista, a aposentada Maria Dolores, de 67 anos, correu ao perceber que todos os móveis da casa estavam sendo arrastados. Vitoriana Leão, de 85 anos, foi uma das duas pessoas que morreram durante o temporal em São Paulo nesta terça-feira, 20

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Era por volta de 15h30. "Veio a geladeira, a mesa, veio tudo", contou. Entre os escombros, encontrou a mãe, cadeirante, já morta.

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"Tentei me salvar, mas não consegui salvar a minha mãe. Foi tudo muito rápido. Só vi o corpo dela depois de tudo acontecer. Se tentasse fazer algo, morríamos as duas."

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A casa em que morava ficava nos fundos de um terreno dividido entre ela, a irmã Sônia Regina Leão, de 63 anos, e a mãe. Moradoras do imóvel de número 116 da Rua Maria Renata desde 1959, a família reclama de problemas frequentes com o transbordamento de um córrego que fica atrás da residência, mas nunca como agora.

"Uma vez o muro da casa desabou, mas já faz muitos anos. Não tínhamos para onde ir", disse Sônia.

O genro da idosa, João Sobrinho, de 68 anos, que também morava no local, foi resgatado no banheiro, onde tentou se esconder. "Eu quase morri afogado. A água chegou na altura do pescoço", contou. 

O corpo de Vitoriana foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

À noite, a família dependia de ajuda dos vizinhos. "Perdemos tudo, até as roupas do corpo."

Remédios para dormir e para pressão também ficaram embaixo d'água. "O que mais fazer? Não temos nem para onde ir."

Vizinhança

As fortes chuvas também afetaram a vida dos vizinhos na região. A aposentada Dilma Correa, de 68 anos, disse que perdeu todos os móveis de sua casa. "A água chegava aos meus joelhos", relatou. "Fomos muito prejudicados."

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