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Se houver tumulto em 'rolezinhos', será aplicada 'força policial', diz secretário

Fábio Grellet, Laura Maia de Castro, Marcelo Gomes, Ricardo Brandt e Thaise Constancio - O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2014 | 19h 30

Secretário Fernando Grella Vieira diz que não é função da polícia fazer a segurança nos shoppings, mas casos graves terão 'aplicação de força'

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, disse nesta terça-feira, 14, que se houver tumulto nos shopping centers será aplicada "força policial", ao comentar os "rolezinhos" marcados para os próximos dias. "Não é função da polícia fazer a segurança nos shoppings. O papel dela é preservar a ordem. Mas, se houver tumulto, será aplicada a força policial", disse Grella, em Campinas.

Os encontros em shoppings, convocados por grupos de jovens pela internet, começaram em dezembro, em São Paulo e em Guarulhos. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, até agora 61 pessoas foram levadas para quatro delegacias após os tumultos em shoppings. Já foram registrados oito boletins de ocorrência e abertos quatro inquéritos policiais.

Os eventos eram descritos como momentos para "beijar na boca" e "curtir a galera". No fim de semana, porém, houve confusão e PMs foram acusados de agredir jovens em Itaquera, na zona leste. Os eventos, então, se transformaram em convites para protestar e se espalharam pelo País. Na segunda-feira, 13, na internet, já era possível encontrar "rolezinhos" marcados em shoppings de cidades do interior de São Paulo, além de Rio e Brasília, em apoio aos eventos da capital paulista.

Rio. O secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, afirmou que a PM não vai atuar de forma preventiva nos encontros. O primeiro está previsto para o Shopping Leblon, na zona sul, um dos mais sofisticados da cidade, às 16h20 de domingo. Mais de 7 mil pessoas já confirmaram presença. Também foram agendados "rolezinhos" nos próximos fins de semana em shoppings da Tijuca, Ilha do Governador (zona norte), Niterói e São Gonçalo, na Região Metropolitana, e até na Biblioteca Nacional e no banco de sangue HemoRio. "Em primeiro lugar, 'rolezinho' não é crime. Não vamos tomar nenhuma atitude preventiva. Se a polícia for demandada, vai atuar", afirmou Beltrame.

O comandante do 17.º Batalhão da PM (Ilha do Governador), tenente-coronel Dayzer Cortas, já se reuniu com a direção do Ilha Plaza, onde está marcado um "rolezinho" para sábado. "A princípio, vamos reforçar a segurança na parte externa, com 50 homens."

O presidente da Associação Brasileira dos Shoppings Centers (Abrasce), Luiz Fernando Veiga, disse que os clientes "não estão acostumados com esse tipo de tumulto, então é preciso se prevenir". A associação fará reunião nesta quarta-feira, 15, com representantes dos estabelecimentos para discutir o assunto. O vice-presidente da Associação Comercial do Rio, Ronaldo Chaer, também defendeu a ampliação da segurança.

A Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) defendeu a obtenção de liminares judiciais prevendo multa para "rolezinhos" como forma de impedir a realização desses atos. No último fim de semana em São Paulo, os shoppings Itaquera e JK Iguatemi obtiveram essas ações.

Veja onde os "rolezinhos" já aconteceram em São Paulo: