Satyros faz da Roosevelt um bar a céu aberto

Subprefeitura autoriza grupo a promover evento cultural na praça; medida divide opiniões de quem frequenta a região

Leandro Calixto do Jornal da Tarde, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2010 | 00h00

Polêmica. Mesas são colocadas de quarta-feira a sábado

O grupo de teatro Satyros transformou a Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, em um bar a céu aberto. Desde o fim de março, o local virou uma extensão da companhia. De quarta a sábado, a partir das 18 horas, mesas e cadeiras são colocadas entre canteiros e jardins da praça.

A companhia teatral diz que tem alvará da Subprefeitura da Sé para utilizar o espaço e que a intenção é ocupar a praça com atividades culturais. A subprefeitura confirmou que o Satyros obteve um Termo de Autorização para colocar mesas e cadeiras, mas para a realização de apenas um evento, o Sarau Lusófono. Durante as noites em que a reportagem esteve no local, nenhum evento era realizado na praça.

A iniciativa dos Satyros recebe aprovação de parte dos moradores da região, mas há quem questione a legalidade da medida. A tentativa de assalto que feriu com três tiros o dramaturgo Mário Bortolotto, no Teatro Parlapatões, em dezembro do ano passado, causou comoção e provocou debates sobre segurança na Praça Roosevelt e nos espaços culturais da região. A experiência mostra que projetos para revitalizar a área não faltam - mas não foram suficientes.

"Prefiro isso a deixar o espaço entregue ao poder público, que não faz nada pelo local. O pessoal do teatro limpa a praça com o maior carinho. E as mesas e cadeiras trazem mais vida para nossa região. Valoriza até os nossos imóveis", diz o diagramador Gustavo Moura, de 31 anos, que vive em um prédio da Roosevelt.

O vendedor Aldo Assis de Oliveira, de 32 anos, diz que o espaço é uma alternativa para os fumantes. "Aqui, a gente fuma nosso cigarro à vontade. Havíamos perdido essa liberdade", diz Oliveira, lembrando a lei antifumo.

Já a arquiteta Priscila Cerantolo, de 29 anos, frequenta o polo cultural, mas lembra que a praça é uma área pública. Por isso, não acha justa a ocupação. "Daqui a pouco, todo mundo vai querer fazer de sua praça um bar. Isso pode virar algo descontrolado no futuro."

Legalidade. Para o advogado Marcelo Gatti, especialista em Direito Público, a Prefeitura pode conceder alvará, mas desde que seja para um evento específico. "Essa permissão não pode se extrapolar por muito tempo. Ela é só válida enquanto o evento for realizado", diz. "Se isso ocorrer, o estabelecimento pode ser multado e até fechado." Outros bares, como Parlapatões e La Barca, também teriam recebido autorização semelhante.

A direção do Satyros afirma que a intenção é ocupar a área com atividades culturais. "Estamos fazendo saraus e outros eventos para que a praça tenha vida. Respeitamos os horários e não fazemos bagunça. Assim, vamos afastar a criminalidade da região", diz o assessor de imprensa do grupo, Robson Catalunha.

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