São Paulo vai abrir abrigo para acolher imigrantes haitianos

Local, que tem capacidade para 120 pessoas, será um reforço para a Igreja Nossa Senhora da Paz

Fabio Calderon, Especial para O Estado

06 Maio 2014 | 19h33

SÃO PAULO - Um abrigo com capacidade para 120 pessoas começará a acolher haitianos em São Paulo. O local funcionará como reforço para a Igreja Nossa Senhora da Paz, na Rua do Glicério, no centro da capital paulista, que tem acolhido os haitianos desde o fechamento do abrigo em Brasileia (AC), no início de abril.

Segundo o padre Paolo Parise, diretor do Centro de Estudos Migratórios (CEM) da paróquia, hoje a igreja abriga 70 haitianos. Desde as dificuldades na cidade do Acre, mais de 450 imigrantes vindos do Haiti passaram por lá. A previsão era que o alojamento fosse aberto nesta terça-feira, mas a Secretaria de Direitos Humanos e Cidadania informou que ainda faltavam ajustes a serem feitos.

O imóvel, pertencente a uma empresa privada, tem capacidade para receber 120 pessoas e está localizado a cerca de 200 metros da Missão Paz, ligada à paróquia Nossa Senhora da Paz. O local servirá de abrigo emergencial, pois o empréstimo à Prefeitura terá duração de três meses.

O novo abrigo tem, aproximadamente, 2 mil metros quadrados e possui salas para acomodação de homens e de mulheres. "Este é um espaço de emergência, criado em razão da concentração de haitianos que chegaram", afirmou nesta segunda-feira a secretária de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura, Luciana Temer.

O prefeito Fernando Haddad (PT) disse que a capital não terá problemas no acolhimento, mas que providências relacionadas à documentação dos haitianos precisam ser tomadas. "Nosso problema não é acolher, o problema é a organização prévia para que eles cheguem com documentação, Carteira de Trabalho. Muitos são roubados antes de chegar ao Brasil, entram no País sem documentação. A finalidade é garantir que eles saiam do Acre já com a Carteira de Trabalho ou que haja nem que seja um posto avançado da embaixada, que possa providenciar documentação." Para melhorar o acolhimento, estão sendo organizadas parcerias com o governo federal e com a Embaixada do Haiti no Brasil.

Segundo o prefeito, os haitianos têm conseguido contratação imediata no mercado de trabalho paulistano - 400 dos que chegaram à cidade já estão empregados. "Como a economia continua aquecida, as empresas estão contratando", destacou. "No ano passado, a cidade de São Paulo recebeu 2,6 mil haitianos. Então, não é novidade receber migrantes. A novidade foi o fluxo intensificado nas últimas semanas", acrescentou. De acordo com a Missão Paz, cerca de mil haitianos chegaram a São Paulo nos três primeiros meses de 2014.

Haddad disse que será feito um acordo com o governo acreano para evitar chegadas inesperadas de haitianos à capital paulista. "É tudo uma questão de organização e planejamento. O governador do Acre está em contato comigo para estabelecer um trabalho em comum para que não haja surpresas de parte a parte", explicou. "As pessoas não ficam em São Paulo, daqui elas partem para outras cidades."

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