São Paulo tem déficit de 14 mil vagas em moradias sociais

São Paulo tem déficit de 14 mil vagas em moradias sociais

Até 2015, Prefeitura quer fazer condomínios exclusivos em prédios desocupados; governo do Estado não tem planos

Edison Veiga, Filipe Vilicic e Vitor Hugo Brandalise, O Estadao de S.Paulo

04 Abril 2010 | 00h00

Entre os problemas estruturais mais flagrantes para idosos na capital está o déficit de vagas para moradia social. Atualmente, há quase cinco vezes mais idosos pleiteando espaço em conjuntos habitacionais do que as redes públicas são capazes de absorver. São cerca de 18 mil idosos buscando uma das 4 mil vagas.

Por lei, as companhias de habitação são obrigadas a reservar 3% das vagas em conjuntos habitacionais para os idosos. "O problema é que os locais geralmente não são acessíveis nem adaptados para receber os idosos, e famílias numerosas não são aceitas. A maioria nem quer ir", diz a promotora de Atendimento ao Idoso do Ministério Público Estadual (MPE), Cláudia Beré. "E nas poucas vilas exclusivas para eles, as filas são enormes."

A cidade tem apenas dois conjuntos habitacionais públicos exclusivos para a terceira idade, ambos na região central - a República dos Idosos, do governo do Estado, no Cambuci, e a Vila dos Idosos, da Prefeitura, no Pari. No primeiro, 2.700 pessoas pleitearam 65 apartamentos - todos ocupados desde 2007. Na Vila dos Idosos, 5 mil pessoas buscam as 145 vagas existentes, também habitadas.

"Escutamos que o idoso é preguiçoso, que não se prepara para a velhice, mas o fato é que a rede de proteção é falha, não há estrutura mínima", afirma Olga Quiroga, de 73 anos, diretora do Grupo de Articulação da Moradia do Idoso da Capital (Gamirc). "Acreditamos que haja conjuntos que nem ofereçam realmente vagas para idosos."

Trinta anos. Em 1981, logo ao completar 44 anos, a costureira Thetis Ferrari se cadastrou para uma vaga na Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab). "O futuro não parecia caminhar bem", conta.

Hoje, aos 73 anos, Thetis ainda espera resposta - nunca foi sequer comunicada dos motivos da rejeição. "Não acabou a esperança de ser chamada. Então fiquei em São Paulo, morando mal, e agora não consigo sair nem querendo", diz. Ela vive em um cubículo na Rua Guaianases, próxima da Cracolândia, dividindo uma quitinete com a filha, o cunhado e a neta. "Queria saber por que nunca fui chamada."

Para diminuir o déficit, o município quer transformar, até 2015, cinco prédios abandonados do centro em condomínio para idosos. O Estado não tem planos de expandir a rede na cidade.

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