São Paulo economiza 500 litros de água por segundo após bônus

Economia é suficiente para consumo de somente 3% das pessoas que dependem do Cantareira na capital

Fabio Leite e Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

10 Fevereiro 2014 | 20h19

SÃO PAULO - A Sabesp anunciou nesta segunda-feira, 10, que, após uma semana de incentivo à redução do consumo de água na Grande São Paulo, foi possível economizar 500 litros / segundo.

Considerando a média diária de consumo por pessoa na região, que é de 161 litros, a cada dia seria possível abastecer cerca de 268 mil pessoas com a economia obtida de 500 litros / segundo. Isso representa 3% das cerca de 8,8 milhões de pessoas na capital paulista que dependem do Sistema Cantareira.

Mesmo se todo mundo passasse a consumir o proposto pela Sabesp, que são 128 litros, essa economia atual equivaleria ao abastecimento de 337.500 pessoas. Os 500 litros por segundo equivalem a 3,7 banhos de 15 minutos.

“O que esse é dado mostra é que o efeito do bônus é infinitamente menor do que precisaria ser”, comenta Helio Mattar, do Instituto Akatu, que faz campanhas para o consumo consciente.

Segundo ele, a adoção do bônus é insuficiente quando se considera que boa parte da população da Região Metropolitana de São Paulo vive em prédios que não têm medição individualizada de consumo. Com isso não dá para saber quem gasta mais ou menos, o que acaba não incentivando a adesão.

Ele também critica a política proposta pelo governador Geraldo Alckmin de que o momento é para investir em campanhas educativas para evitar o desperdício dos recursos hídricos. “Incentivo de consciência é fundamental, mas é a longo prazo. Agora não dá para pensar que educação vai resolver um problema urgente. É hora de racionar.

O especialista em Recursos Hídricos da Escola Politécnica da USP Rubem Porto concorda que o momento é muito crítico para se confiar somente no bônus aos moradores. “É hora de lançar mão de todos os recursos que existem para adiar o mais possível um colapso do sistema”, diz. “A gravidade da situação merece um pouco mais de agressividade, quem sabe colocar multas de quem gastou mais.”

Ele defende também a adoção de ao menos rodízio de água o quanto antes. “A cada dia as notícias são mais graves, mas decidiram esperar até o dia 17 (quando há previsões de chuvas). Eu não raciocinaria assim, mas firmaram isso como se fosse um édito divino. Só tenho medo que chova (e desistam do racionamento). Porque por mais que chova, fevereiro já está perdido.”

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