Santos Dumont atrasa 31,7% dos voos no País

Efeito cascata afetou aeroportos em todo o País; no terminal do Rio, só 1 em cada 10 decolagens conseguiu partir no horário previsto até as 18 horas

Rodrigo Burgarelli, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2010 | 00h00

A chuva que caiu no Rio acabou atrasando voos nos aeroportos de todo o País. A falta de visibilidade e a pista escorregadia obrigaram o Santos Dumont a permanecer fechado na noite de segunda-feira e na manhã de ontem. Graças ao efeito dominó causado pelos aviões que não puderam decolar, 31,7 % dos voos em todo o País atrasaram mais de meia hora e 10,7% foram cancelados até as 18 horas de ontem.

O aeroporto mais prejudicado foi o próprio Santos Dumont ? que ficou fechado por quase três horas pela manhã e operou por instrumentos no restante do dia. As condições climáticas fizeram apenas 10% dos voos decolarem no horário certo até as 18h, enquanto 63,6% haviam sido cancelados e 26,4% partiram com atraso superior a meia hora. Foi o terceiro dia consecutivo com atrasos e cancelamentos no aeroporto fluminense.

A situação caótica no terminal acabou afetando outros aeroportos no País. O primeiro a sentir os impactos foi Congonhas, em São Paulo. Até as 11h, 12 dos 13 voos previstos para o Rio já haviam sido cancelados e vários passageiros pediam reembolsos na área de check-in das companhias aéreas. Às 18 horas, 38,7% das decolagens programadas para o dia estavam atrasadas e 20,4% foram canceladas.

Dominó. Do aeroporto paulistano, os problemas se espalharam para outras capitais. Como as aeronaves programadas para vir do Rio não chegaram, houve cancelamentos e atrasos nas decolagens previstas para outros aeroportos ? Confins (Belo Horizonte), Brasília e Salvador foram consideravelmente afetados.

O Galeão, na capital fluminense, sofreu com outro problema: já que várias aterrissagens previstas para o Santos Dumont foram transferidas para lá, o pátio de aeronaves ficou lotado e as decolagens com destino ao aeroporto tiveram de ser canceladas por algumas horas na manhã.

Além disso, a má visibilidade obrigou que o funcionamento fosse feito por instrumentos. Tudo isso contribuiu para que o Galeão apresentasse a segunda maior proporção de atrasos (46,7%) entre os principais aeroportos brasileiros até 18 horas.

Brincadeira. O cenário caótico contribuiu para que o casal de namorados Valdinéia Tenório da Silva, de 35 anos, e Eduardo César Galli, de 28, passasse mais de um terço dos últimos três dias em aeroportos. Ambos moram em Cianorte, no Paraná, e viajaram pela primeira vez ao Rio no feriado da Semana Santa. O voo de retorno estava programado para chegar em Maringá no domingo, mas, ontem à tarde, o casal ainda estava em São Paulo, com as malas extraviadas e sem saber quando voltariam para a cidade paranaense. "O voo de domingo era no Santos Dumont, mas foi cancelado e remarcado para segunda-feira de manhã. Mas, na segunda, o voo para São Paulo, onde era a escala, atrasou bastante, e já não vimos mais nossas malas. Parece até brincadeira", lamentou Valdinéia.

O casal trabalha como personal trainer, cobra por hora de trabalho e diz que vai reclamar o prejuízo na Justiça. "Deixamos de ganhar quase R$ 2 mil os dois juntos. Isso sem contar o frio que passamos por não ter nossa própria roupa, ou os gastos com celular e comida", afirmou.

Também em Congonhas, a jornalista Adriana Borges reclamava da falta de informação. Ela decolaria em direção ao Santos Dumont às 11h30 e chegou em Congonhas quase uma hora antes, mas teve de esperar na fila do check-in até quase meio-dia. As principais companhias aéreas brasileiras ? Gol, TAM, Ocean Air e Azul ? informaram durante o dia que permitiam a remarcação de passagens com saída ou destino a algum aeroporto fluminense e sem cobrar multas.

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