Marcelo Coimbra/Divulgação
Marcelo Coimbra/Divulgação

Santo negro descoberto em Itu pode ser de Aleijadinho

Peça foi retirada de uma fazenda mineira por um antiquário e ficou por muitos anos 'escondida' entre outros objetos à venda

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

15 Abril 2014 | 16h27

SOROCABA - Pode ser de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, a escultura descoberta nesta segunda-feira, 14, em um antiquário de Itu (interior de SP). Trata-se de um santo negro de 26,5 centímetros de altura, esculpida em madeira, que pode ter sido feita entre 1761 e 1780 - fase inicial da carreira do mestre mineiro. De acordo com o pesquisador Marcelo Galvão Coimbra, a quem foi confiado o achado, a imagem representa São Benedito das Flores e tem as características de outras obras de Aleijadinho. Caso a autoria seja confirmada, será a segunda imagem de um personagem negro produzida pelo escultor.

"Podemos estar diante de um achado raríssimo, pois conhecemos apenas uma escultura de Aleijadinho que representa sua própria raça, pois ele era filho de uma negra escrava", disse Coimbra. A única escultura negra atribuída ao escultor, uma representação do rei mago Gaspar, produzida entre 1775 e 1790, está exposta no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto (MG). Segundo Coimbra, a peça achada em Itu foi trazida de uma fazenda mineira por um antiquário e ficou por muitos anos 'escondida' entre outros objetos à venda.

Coimbra contou que, como pesquisa o barroco brasileiro há mais de 30 anos e é coautor do mais recente catálogo geral da obra de Aleijadinho, quando alguém vê uma peça interessante, logo o avisa para que faça a avaliação. "Quando vi o São Benedito, levei um susto, pois os principais estilemas (marcas do estilo do autor) de Aleijadinho estão presentes na imagem." Para ele, a obra é da fase inicial, tendo o rosto semelhante aos de diversos anjos retratados pelo escultor mineiro, mas com o nariz largo africano, diferente dos modelos europeus. "É uma imagem tão rara na iconografia do Aleijadinho que tomei a liberdade de batizá-la de diamante negro", disse.

O pesquisador encaminhou fotos e descrição da imagem a especialistas reconhecidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para a atribuição de autoria. Enquanto aguarda o resultado, ele pretende incluir a escultura na exposição Berço do Barroco Brasileiro e seu Apogeu com Aleijadinho, da qual é curador e que segue até 11 de maio na Galeria Principal da Caixa Cultural, em Brasília. A mostra reúne 140 peças, das quais 47 do escultor mineiro.

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