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Sabesp terá de diminuir retirada de água do Cantareira em 10%

Fabio Leite - O Estado de S. Paulo

30 Abril 2014 | 18h 15

Nova vazão máxima de água prevê a diminuição de 2,4 mil litros por segundo para a Grande São Paulo, mas não deve impactar abastecimento

Atualizada às 21h59

SÃO PAULO - A Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) decidiram nesta quarta-feira, 30, reduzir em 9,7% o volume máximo de água que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) poderá retirar do Sistema Cantareira, a partir desta quinta, para o abastecimento de mais de 8 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

Em comunicado conjunto, os órgãos reguladores federal e estadual definiram que a vazão máxima de transferência de água pelo túnel 5, entre os reservatórios Atibainha, em Nazaré Paulista, e Paiva Castro, em Mairiporã, será de 22,4 mil litros por segundo, 2,4 mil litros a menos que a vazão permitida até quarta: 24,8 mil litros por segundo. Para as bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), na região de Campinas, a vazão foi mantida em 3 mil litros por segundo.

A nova regra vale até o dia 15 de maio, quando a Sabesp pretende iniciar a captação de água do chamado "volume morto" - reserva profunda represada abaixo do nível das comportas - nas Represas Jaguari-Jacareí, na região de Bragança Paulista, que estão com apenas 3,1% da capacidade. O nível do sistema nesta quarta era de 10,7%, o mais baixo da história.

Segundo a ANA e o DAEE, a nova vazão representa a "manutenção da mesma ordem de grandeza das vazões efetivamente praticadas em abril". De acordo com o comitê anticrise, que monitora a seca do Cantareira, a Sabesp retirou, na média, 21 mil litros por segundo do túnel 5 no mês passado. Na estação elevatória em Paiva Castro, a retirada foi de 24,8 mil litros. Antes da crise, a média era de 31 mil litros por segundo.

Os números mostram que, na prática, a diminuição de 20% definida nesta quarta não deve impactar ainda mais o abastecimento da Grande São Paulo, ao contrário do que aconteceu depois da redução anunciada no início de março pelos órgãos reguladores. Na ocasião, a Sabesp teve de reduzir de 31 mil litros para 27,9 mil litros a retirada de água do manancial e, por isso, decidiu cortar em 15% o volume de água vendido no atacado para as cidades de São Caetano e Guarulhos, que são atendidas pelo Cantareira. Guarulhos acabou decretando racionamento oficial de água.

Retirada. Segundo a presidente da Sabesp, Dilma Pena, a companhia já reduziu em 6 mil litros por segundo o volume de água retirado do Cantareira desde o início da crise, em janeiro. Nesse período, a Sabesp adotou o desconto para quem economiza água, iniciou o remanejamento dos Sistemas Guarapiranga e Alto Tietê para áreas do Cantareira e reduziu a pressão da água na distribuição noturna.