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Sabesp deixa de arrecadar R$ 1,2 bilhão com bônus

- Atualizado: 06 Janeiro 2016 | 07h 44

Programa que dá desconto para quem reduzir consumo de água levou a uma economia de 265 bilhões de litros em quase dois anos

O projeto é responsável por “poupar” o equivalente a um quarto da capacidade do Sistema Cantareira

O projeto é responsável por “poupar” o equivalente a um quarto da capacidade do Sistema Cantareira

SÃO PAULO - A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) deixou de arrecadar R$ 1,2 bilhão em quase dois anos com o programa de descontos na conta para quem economiza água. O projeto é responsável por “poupar” o equivalente a um quarto da capacidade do Sistema Cantareira. A partir deste mês, os clientes terão de consumir 22% menos água para manter o mesmo benefício na fatura.

A medida foi aprovada no dia 23 de dezembro pela agência reguladora do setor e deve diminuir as perdas financeiras com o bônus em um momento em que a empresa registra prejuízo - R$ 580 milhões apenas no terceiro trimestre de 2015. No acumulado do ano, a Sabesp ainda tem um lucro de R$ 75 milhões, 91% menor do que em 2014.

Somente em 2015 (até novembro), a Sabesp deixou de arrecadar R$ 844,8 milhões com o programa, mais do que o dobro do prejuízo provocado no primeiro ano da crise, de R$ 376,4 milhões. O rombo equivale a quase duas vezes o custo da transposição de água do Paraíba do Sul para o Cantareira, principal obra para recuperar o sistema, orçada em R$ 555 milhões.

Nesse período, marcado pelo agravamento da crise, a média de consumidores que obtiveram desconto subiu de 49%, em 2014, para 70% no ano passado. Já o volume de água economizado pela população por mês praticamente dobrou, de 8,8 bilhões para 16,1 bilhões de litros. 

Lançado em fevereiro de 2014, o programa dava desconto de 30% na conta dos clientes abastecidos pelo Cantareira que reduzissem em pelo menos 20% o consumo em relação à média antes da crise. Em abril daquele ano, o programa foi expandido para 31 cidades da Grande São Paulo e, em dezembro, na iminência de um colapso hídrico, outras faixas de descontos (10% e 20%) foram criadas para estimular economia.

Mudança. Agora, porém, com a volta das chuvas e o Cantareira recuperando o volume morto após um ano e meio, a Sabesp dificultou a concessão do bônus, reduzindo a base em 22% no índice que representa a redução média de gasto nos últimos 12 meses. Ou seja, quem consumia 20 mil litros antes da crise, precisava gastar até 15,6 mil litros para obter o desconto de 30%. Agora, não poderá exceder 12,5 mil litros, o que significa uma redução total de 37,5%.

As novas regras, aliadas à prorrogação da multa de até 50% para quem consumir mais água do que antes da crise, foram criticadas pela coordenadora da associação de consumidores Proteste, Maria Inês Dolci. “A Sabesp não pode querer repassar, com aval da Arsesp, suas perdas por má administração dificultando o acesso da população ao bônus, que já faz a sua parte reduzindo o consumo.”

Segundo o presidente da Sabesp, Jerson Kelman, a medida tem como objetivo “dar um estímulo extra” para quem pode economizar mais água - e não recompor o caixa da empresa. Só com a multa, a empresa arrecadou R$ 445 milhões em 2015.

Como outros países lidam com escassez de água
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O estado da Califórnia, nos Estados Unidos, tem enfrentado problemas por causa de secas. O primeiro passo para reverter a situação foi implantar o racionamento de água em 25%, com pagamento adicional de uso excessivo. O racionamento teve uma resistência inicial da população, mas foi significativo. Mesmo após a passagem do período de seca, as restrições foram mantidas. Estudos atuais mostram uma demanda constante, estável, resultado da economia e comprometimento dos usuários. (Fonte: Ministério do Meio Ambiente)

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